Um dia meu marido disse:
“A esperança é revolucionária.”
Passei a manhã pensativa refletindo sobre aquelas palavras.
Éramos tão jovens!
As filhas pequenas enrodilhadas em nossas pernas.
Sorrimos os dois, eu e o meu marido.
Ontem, li os jornais e falei:
“Não tenho mais esperanças.”
Pobre marido, passou o dia pensativo, olhando para mim.
E já somos tão velhos!
Então, um neto ligou e falou de poesia.
Sorrimos novamente, eu e meu marido. LAURA ESTEVES
no livro ‘Rastros’, Poemas Escolhidos, Ibis Libris (2006)
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