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Estaria o bolsonarismo morto?Moribundo?Luiz Carlos de Oliveira e Silva

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 5 leitura mínima

Pesquisando as principais fontes primárias da extrema-direita bolsonarista (Revista Oeste, Rádio Auriverde e Bradock show), cheguei à conclusão que a linha política a ser adotada por eles, daqui até as eleições de 2026, tem como objetivo imediato e preliminar manter a extrema-direita coesa, de moral elevado e sob a direção e hegemonia de Jair Bolsonaro.

O objetivo permanente continua no horizonte, adaptado as atuais circunstâncias adversas, a saber: o projeto de poder de extrema-direita, de forma revolucionária e conteúdo político totalitário, econômico ultraliberal, conservador nos costumes e servil aos EUA.

A condenação e a prisão de Bolsonaro (e de sua turminha da pesada) já está “precificada”, sim, mas isso não lhes parece motivo suficiente para que a “fila ande”.

Pelo contrário, eles apostam na manutenção de Bolsonaro como a única figura, pelo menos até onde a vista alcança, capaz de manter a extrema-direita unida e operante.

Eles apostam também que Bolsonaro não está morto politicamente, mesmo condenado e preso. Pelo contrário, pensam, Bolsonaro preso pode tornar-se tão ou mais forte quanto antes.

Tudo vai depender da envergadura que luta pela anistia adquirir, e da profundidade da crise institucional que eles tentarão gerar denodadamente, eis o busílis.

Com a conquista de maioria no Senado nas eleições de 2026, a linha política se radicalizará com o objetivo de provocar uma crise institucional sem precedentes entre nós desde a Redemocratização.

Caso a crise institucional tome proporções, digamos, médias, não haverá virada de mesa, certamente, mas segundo eles estarão criadas condições para uma negociação onde os bolsonaristas poupariam Xandão e o “sistema” liberaria Bolsonaro, tendo em vista “a pacificação dos ânimos”. Esse seria o “plano B”…

O “plano A” depende de a crise institucional adquirir proporções severas, e eles farão tudo para que isso aconteça. Nesse caso, o plano seria retomar, dessa vez a sério, o que não passou de palhaçada e histrionismo vulgar no fim do Governo Bolsonaro.

Sairão de cena os aloprados e entraram em cena os profissionais, dessa vez sob as bençãos, acreditam, do Tio Sam sob a gestão de Trump.

A libertação dos “presos políticos” e encarceramento ou fuzilamento dos seus “algozes” serão o prelúdio para refundar a República, com a instauração de um Estado Totalitário entre nós.

Acreditam que esse Estado Totalitário poderá obter reconhecimento internacional, se ele for visto como resolução de uma profunda anomia.

Nesse caso, o célebre “30 mil mortos foram poucos” será levado à prática com gosto e profissionalismo.

Quanto às eleições de 2026, o objetivo será o de centrar fogo na eleição para o Senado, que renovará 2/3 das cadeiras, e o de impedir que a “fila ande”, mantendo a todo custo o nome de Jair Bolsonaro como o cabeça-de-chapa (com Eduardo Bolsonaro na vice) na disputa eleitoral para a Presidência.

Tudo em nome da desestabilização política! Vamos ver como o “sistema” irá mover as suas peças…

Mantendo vivo o nome de Bolsonaro, agitando as ruas em prol de uma anistia e fazendo maioria na “Câmara alta”, as condições para que se gere uma situação de permanente crise institucional estarão dadas.

As tratativas para o impeachment de Xandão – que certamente será peça central na campanha eleitoral para o Senado em 2026 –, logo no início da nova magistratura, será um bom termômetro para medir o potencial gerador de crise da extrema-direita.

Os próceres da extrema-direita “visitados” por mim são unânimes em considerar que Bolsonaro – e a hegemonia do bolsonarismo sobre a extrema-direita – não está morto.

Quanto a esse último ponto, eu acho que esses próceres têm razão.

Contra esses objetivos políticos da extrema-direita vestida com as vestes do bolsonarismo, o que temos?

Minha resposta: o que a extrema-direita, não sem alguma razão, chama de “sistema”.

E a esquerda, que papel ela pode desempenhar nisso tudo?

Minha resposta: se ela continuar como se encontra – limitada a políticas públicas de redução de danos –, a esquerda seguirá como está, limitada a um papel coadjuvante, diluída no interior do “sistema”.

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
1 comentário
  • e a investigação sobre o golpe, que o Gonet disse que ficará para 2025? um evento tão ‘monstruoso’ deverá esperar passar as festas do fim de ano! kkk … vc’s acreditam no sistema, em eleições, instituições funcionando, fácil enganar uma esquerda que lê Marx em alemão, por isso os militares fazem questão que vc’s os chamem de burros, quem é burro no fim das contas? Bolsonaro sempre foi um fantoche, um fusível a ser queimado e Lula é um projeto do Golbery que está chegando ao fim.

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