(1) A religião é um fato presente na consciência humana desde sempre, e essa realidade insofismável não dá mostras de que irá arrefecer no curto nem no médio prazos. (2) O contingente da humanidade que não tem religião, comparado com os que têm, é numericamente muito pequeno.
Levando-se em consideração os pontos (1) e (2), podemos ver, em retrospectiva, o tamanho do erro histórico que foi a esquerda se apresentar como uma corrente política ateia e, não raramente, contra a religião.
Que as pessoas de esquerda sejam ateia, não vejo problema nenhum quanto a isso, já que o ateísmo é uma crença como outra qualquer. O problema é o movimento de esquerda se apresentar como “ateu” ou como “contra a religião”.
O movimento de esquerda deve, a meu ver, ser “neutro” quanto ao tema…
Outra coisa: uma coisa são os movimentos de esquerda, outra coisa a necessidade de reconhecermos a dimensão ontológica da atual crise porque passa o Ocidente.
Do modo como eu vejo as coisas, sem o reconhecimento da dimensão ontológica da atual crise, limitar-nos-emos aos seus efeitos de superfície.
Como eu estou convencido que as religiões são “ontologias no modo prático”, não há como não enfrentarmos a luta ideológica também no terreno das religiões realmente existentes.
Não se trata de disputar espaço com pentecostais, já que os pentecostais são “disputados” pelas diversas seitas desse campo religioso.
O que se trata é de abrir uma disputa, isso sim, contra os “monoteísmos revelados”, desde o campo da própria religião, a partir dos diversos “politeísmos selvagens”, entendidos esses como reservas de sentidos e de ressignificações.
Precisamos colaborar para que as forças revolucionárias adormecidas nos “politeísmos selvagens” sejam despertadas e liberadas… É sobre isso!
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