
Há quem veja motivação sobretudo ideológica na aproximação de Trump com Putin. Não vejo assim… A proposta de aproximação com a Rússia por motivos ideológicos está mais presente em alguns setores da extrema-direita europeia (vide “Nouvelle droite”) do que na extrema-direita estadunidense. O ranço anti-Rússia permanece muito forte nos EUA.
Quanto aos propalados “interesses expansionistas de Putin”, essa “narrativa” amplificada pelos órgãos de imprensa sob a influência ideológica da OTAN (e de seus satélites), a meu ver, não se sustenta. O que sustenta essa narrativa não é outra coisa senão o velho preconceito antieslavo.
Manobras dos EUA para atrair a Rússia, de modo a fazê-la relativizar a sua aliança com a China, isso sim, faz todo o sentido. E Putin – e que governante não o faria – vai tentar tirar o máximo proveito dessas iniciativas estadunidenses. Mas, a aliança estratégica com a China, me parece irreversível, por ser estrategicamente interessantes aos dois países. O que pode acontecer é uma diminuição no ritmo da construção da aliança, nas não mudança de rumo.
Vencida a questão da irresponsável e criminosa provocação da OTAN na Ucrânia (a famigerada “proxy war”), a Rússia se encontrará diante de um horizonte muito favorável à sua reconstrução econômica e militar.
O futuro é asiático, e a Rússia tem mais a ganhar voltando-se para o sol nasce do que para onde o sol se põe.
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