‘E lá vem o bloco desfilando pela Avenida!A música alta, ritmada, no compasso das batidas do surdo e do tantã, arrastando a multidão que delira, dança, pula enlouquecida, como se não houvesse amanhã.
Arlequins e colombinas, o pierrô apaixonado, palhaços e bailarinas, piratas da perna de pau, brincando lado a lado, juntos e misturados, na democracia do carnaval.Mascarados assustadores, bate-bolas correndo dispersos, assustando as crianças, e a mocinha linda, estandarte à frente, cantando os versos da modinha irreverente.
Uma vez por ano, as pessoas se dão o direito de serem elas mesmas, sem engano..
E lá se vai o bloco… deixando ao passar, apenas um rastro de sujeira e desolação. Latas carregadas pelo vento, garrafas quebradas, adereços, plumas e penas, e um sapato solitário, saudoso do seu par, abandonados pelo chão compõem o cenário.
Um silêncio mortal agora desce sobre a avenida, deserta e adormecida, à espera do próximo carnaval, metáfora da vida.’
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