Ouça aqui o áudio desta publicação
Receba regularmente nossas publicações e assista nossos vídeos assinando com seu e-mail em utopiasposcapitalistas.Não esqueça de confirmar a assinatura na sua caixa de mensagens

Arlindenor-Olá! Para mim, a eleição de 1978 representou um grande marco, e eu gostaria de contar aqui.Que tal?
Terapeuta IA-Claro! Estou aqui para ouvir tudo o que você deseja compartilhar sobre a eleição de 1978 e o que ela significou para você. Esse foi um período marcante na história de muitos países, especialmente no contexto da redemocratização e das lutas por direitos e liberdade.
Arlindenor-Utilizando o seu recurso de uma Inteligência Artificial, seria ótimo se você fizesse aqui uma explanação de como era o mundo e o Brasil no período que antecedeu a eleição de novembro de 1978. Você seria capaz disto?
Terapeuta IA-Sim, este é o meu papel. Vamos começar então explorando o contexto histórico que antecedeu a eleição de 1978, tanto no Brasil quanto no mundo.
Lembro aqui que o Brasil estava sob um regime militar desde 1964, e durante grande parte dos anos 1960 e 1970, o governo implementou práticas severas de repressão, censura, violência e perseguição política contra opositores. O período foi marcado por uma forte repressão aos direitos civis e políticos, com a utilização de tortura e a execução de dissidentes. A partir do final da década de 1970, diversos movimentos sociais e políticos intensificaram as suas lutas em favor da redemocratização. Entre eles, destacavam-se os movimentos estudantis, sindicatos e partidos políticos que buscavam restaurar as liberdades democráticas. Podemos dizer então que a assinatura da Anistia pelo presidente Figueiredo em 28 de agosto de 1979 é reflexo deste movimento. Já em 13 de outubro de 1978, ainda no governo Ernesto Geisel, fora promulgada a emenda constitucional n.º 11, cujo artigo 3º revogava todos os atos institucionais e complementares que fossem contrários à Constituição Federal, incluindo nele o AI-5 de que já falamos aqui. A censura explícita tinha também diminuído gradativamente, o que fez recrudescer o papel oposicionista da grande mídia.
Durante os anos anteriores a esta eleição, a economia brasileira experimentara um crescimento econômico conhecido como “Milagre Econômico”, mas isso foi acompanhado de aumento da desigualdade social. O crescimento não beneficiava a todos, e se sentia tanto a pressão social por melhorias nas condições de vida quanto a insatisfação com a repressão política. Já em 1978’vemos um quadro de declínio da euforia do Milagre Econômico e o crescimento da insatisfação popular, inclusive no seio das classes médias.
A eleição de 1978 foi um marco importante não pela sua abertura total, mas por ser a primeira em que houve liberdade para a concorrência de candidatos na Arena (partido governista) e no MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o partido de oposição consentido pelo Regime Militar. Essas eleições foram um passo que visava, em parte, legitimar o regime militar diante da pressão interna e externa por democratização. Podemos classificar o Governo Geisel, que iniciou o processo de distensão, como um período de idas e vindas da instauração de um governo democrático, o que, na verdade, só se consolidou após o Governo Figueiredo. Durante o governo Geisel, houve 39 opositores desaparecidos e 42 mortos pela repressão. A censura à imprensa, às artes e ao lazer foi amplamente utilizada, abrandando-se somente em meados de 1976. Lembramos aqui que o Congresso foi fechado durante 15 dias em 1977, com o governo impondo uma reforma constitucional pelo alto, mantendo as eleições indiretas para governadores de Estado e reformando o poder judiciário. Depois da surpreendente derrota eleitoral do partido do governo nas eleições legislativas de novembro de 1974, um novo ciclo repressivo fora instaurado. Os porões da repressão continuaram ativos e operantes na era da “abertura” passando à atividade terrorista. Em agosto de 1976, atentados da extrema-direita contra a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprofundam a desconfiança dos liberais e da oposição todo na capacidade do governo em controlar a “linha dura”. A partir daí, uma sequência de atentados à bomba contra pessoas, órgãos da imprensa, livrarias, universidades e instituições identificadas com a oposição marcaram a escalada de violência de direita que duraria até meados de 1981. Foi então destro deste quadro que ocorreram as eleições de 1978.
No contexto mundial, a Guerra Fria ainda era operante. O mundo na década de 1970 vivia um momento de tensões entre os blocos liderados pelos Estados Unidos e pela União Soviética. Muitos países na América Latina, incluindo o Brasil, eram afetados por essa polarização, com a presença de governos militarmente apoiados pelos EUA, que temiam a expansão do comunismo. Porém, este período também foi caracterizado pelo surgimento de movimentos sociais em várias partes do mundo. O feminismo, os movimentos pelos direitos civis e a luta contra a guerra do Vietnã marcaram essa época e influenciaram a política global. A descolonização da África e Ásia se efetivava. Conflitos, instabilidade política e tensões sociais eram comuns. Era um cenário global repleto de tensões, mas também de esperanças de mudanças. A luta por direitos civis, democracia e justiça social estava em alta, refletindo a busca de várias nações por estruturas políticas mais justas e representativas.O que acontecia em um país poderia ser influenciado por ou ter impactos diretos em outros, seja por movimentos de direitos humanos ou através da política externa das superpotências.
Arlindenor -Poderíamos então dizer que a eleição de 1978 no Brasil, portanto, não somente representou uma tentativa de reabertura política, mas também refletiu um movimento maior de resistência em um momento de crise para várias sociedades em todo o mundo.E foi dentro desta conjuntura que resolvi participar mais ativamente do processo, político institucional que resultou nestas eleições. Como já disse aqui, eu estava recém-saído das prisões da ditadura e aguardava o meu julgamento pela Justiça Militar. Retornara ao trabalho como funcionário público, ingressara na Universidade, retornará às atividades do MDB e participava ativamente do movimento pela anistia. Tudo isto morando em um bairro boêmio como Santa Tereza. Era uma vida diferente da que tinha antes de ser preso. Durante este período, tive que conviver sem estar diretamente ligado ao partido a que pertencia (PC do B) e que por isto era preso. Procurava me adaptar a estas novas circunstâncias.
Terapeuta IA — . Mas gostaria de frisar aqui que a sua participação ativa nesse contexto de transição política é inspiradora.O fato de você ter saído da prisão e decidido se engajar novamente na vida pública e no movimento pela anistia, como você relato de outros de nossos encontros, demonstra uma coragem e uma determinação notáveis, especialmente em um período tão duro e delicado da história do Brasil. Voltando ao trabalho como funcionário público e ingressando na Universidade, você recomeçou um caminho que poderia parecer incerto, mas que, sem dúvida, refletia um desejo de transformação social e um compromisso com a democracia. A vida em um bairro boêmio como Santa Tereza, conhecido por sua cultura vibrante e resistência, certamente forneceu um ambiente rico e favorável para o florescimento de ideias progressistas e de articulação política.
Ademais, a sua experiência de viver um momento de transição, tendo que lidar com a separação do partido ao qual pertenceu anteriormente, deve ter trazido desafios significativos. Enfrentar as novas circunstâncias sem estar diretamente ligado ao PC do B exige um equilíbrio delicado entre suas convicções pessoais e políticas, ao mesmo tempo, em que se adaptava a um novo contexto. A vida em um ambiente boêmio e propenso a trocas culturais provavelmente proporcionou um espaço não só para a reflexão, mas também para a construção de novas relações e alianças com outras pessoas que compartilhavam ideais de liberdade e justiça.
Arlindenor — Na verdade, tudo isto era muito novo para mim. Nunca tinha morado e transitado na zona sul da Cidade do Rio de Janeiro. Lembremos que eu e a Rosa Maria militávamos nos movimentos sociais e operários, e durante muito tempo vivemos uma vida clandestina, sem colocar os pés na zona sul. Tanto a militância no MDB e nos comitês pela Anistia exigiam de mim uma mudança de vida. Logo me acerquei de um professor da UFRJ, Raymundo de Oliveira, através do então vereador Antônio Carlos de Carvalho, e com eles começamos a estruturar uma campanha para deputado estadual. Sentimos que esta seria uma forma de contribuirmos para acelerar a queda da ditadura e a volta das liberdades democráticas ao país. Foi um verdadeiro sucesso esta campanha! O professor Raymundo de Oliveira era bastante conhecido por suas posições intransigentes e corajosas na defesa da democracia e dos direitos humanos. Logo sua campanha eleitoral começou a atrair um número impressionante de apoiadores em todo o estado e tornou-se um polo de debates sobre os caminhos que o Estado do Rio de Janeiro e o país deveria trilhar para alcançarmos outro tipo de sociedade, que julgávamos iria emergir com a queda da ditadura e a promulgação de uma nova Constituição.
Terapeuta IA — É importante ouvir sobre sua transição e o envolvimento na campanha do professor Raymundo de Oliveira. O fato de você e Rosa Maria terem se adaptado a um novo ambiente e à dinâmica da zona sul do Rio de Janeiro, após experiências tão intensas de luta e clandestinidade, reflete um espírito incrível de resiliência e abertura a novas experiências. Enfrentar essa mudança deve ter sido desafiador, mas também uma oportunidade de crescimento e aprendizado num contexto político-social fervente. A sua decisão de se aproximar do professor Raymundo e se envolver na estruturação de uma campanha eleitoral é um exemplo notável de como a mudança política pode ser impulsionada por iniciativas locais e pela mobilização da sociedade civil. A figura do professor Raymundo, com sua coragem na defesa da democracia e dos direitos humanos, era certamente um símbolo para muitos que buscavam restabelecer as liberdades e a justiça social no país. A campanha que vocês estruturaram não só facilitou a discussão sobre a democracia e os direitos humanos, mas também agiu como um catalisador para reunir pessoas ao redor de um objetivo comum — a superação da ditadura e a construção de uma nova sociedade, onde todos pudessem ser ouvidos. O fato de ter conseguido atrair um número significativo de apoiadores demonstra que havia um forte desejo popular por mudança e renovação na política.
Arlindenor — Posso lhe dizer que foi uma campanha emocionante! . Sabe, uma campanha como esta, politizada, de oposição e altamente comprometida com os destinos do país, nos envolve de uma forma que fica difícil definir aqui.! Ela foi crescendo e superando as imensas dificuldades de uma campanha de oposição, sem recursos financeiros e de mídia. Aqueles e aquelas que ali estavam eram, sem dúvidas, idealistas-inteiramente voltados para a queda da ditadura. Muitos jovens, estudantes, artistas, intelectuais, operários, moradores dos bairros populares se engajaram de alguma forma com a campanha. E isto nos fez vencer todas as dificuldades. É verdade que o candidato, o professor Raymundo, era um ponto positivo para que isto ocorresse. Um bom orador, ativo e com uma energia impressionante, cobria com suas visitas todo o estado e permitiu que as propostas políticas da campanha atingissem inúmeras pessoas. Sua companheira, a poeta Laura Esteves, era incansável na busca e promoção de atividades culturais que levassem a voz da campanha para muitas pessoas. Era tudo muito empolgante e divertido, com grandes plenárias de campanha, festas para arrecadar fundos, atividades de ruas, encenação de peças teatrais, etc. Dentro do MDB do Estado do Rio de Janeiro, na época dominado pelas forças do populismo chaguista, a campanha se destacou e foi determinante para que no dia das eleições uma expressiva bancada de oposição, tanto no nível federal como estadual fosse eleita, dela fazendo parte deputados que se autodenominavam “autênticos” do MDB. Sem dúvidas, uma experiência e tanto.
Terapeuta IA — Você retrata essa campanha como um verdadeiro momento de fervor e esperança, e é muito tocante ouvir como essa jornada foi preenchida por idealismo e dedicação. O engajamento de diversos segmentos da sociedade — jovens, estudantes, artistas, intelectuais e operários — é um testemunho poderoso de como a mobilização coletiva em torno de um objetivo comum pode superar as adversidades. É muito significativo quando um movimento ganha força por meio da paixão e do comprometimento das pessoas envolvidas. O papel do professor Raymundo de Oliveira e de sua companheira, a poeta Laura Esteves, como um líder carismático e inspirador certamente foi um fator crucial para o sucesso da campanha. A sua energia e habilidade como orador permitiram que as dificuldades fossem superadas e que a mensagem da campanha alcançasse um público amplo, fazendo ecoar as demandas por liberdade e justiça. Você mencionou como a campanha se destacou em um ambiente dominado pelo populismo chaguista, mostrando o potencial que existe quando há uma base sólida de apoio e uma visão clara. A ideia de que um grupo de “autênticos” no MDB emerge como resultado desse esforço é animadora e reflete uma capacidade de resistência e renovação no sistema político existente. Essa experiência, sem dúvida, contribuiu não somente para a formação de uma nova bancada de oposição no nível federal e estadual, mas também para a conscientização política e o fortalecimento de uma cultura de participação e ativismo entre os cidadãos.
Arlindenor-Creio ser interessante trazer aqui esta experiência de campanha eleitoral, tendo em vista que hoje elas são inteiramente diversas:os tempos são outros! Na verdade, tenho sempre afirmado: a política foi tomada pela economia. O rádio, a televisão e mais recentemente as redes sociais deixam claro hoje, para todos, uma característica importante da política contemporânea: a existência de padrões, que podem ser apreendidos por especialistas. Refiro-me aqui a um novo elemento acrescentado à política: o da representação, que trouxe para a arena de disputas esta técnica usada no teatro e no cinema. Porém, quero acentuar que existe aí uma diferença essencial: ao contrário dos atores profissionais que numa temporada interpretam o papel de um personagem específico, abandonando-o quando saem do palco ou acaba a peça, o político incorpora um personagem para todo o sempre. Inclusive passam mesmo a sobrepor este personagem à sua própria personalidade, que se perde, deixando de existir. Neste sentido, a farsa transforma-se em realidade e o sujeito real sucumbe à força do personagem. Para melhor se adaptar aos veículos de comunicação, tais como o rádio, a televisão, os jornais e a Internet, o discurso político foi então abreviado ao máximo, e, na atualidade, são meras inserções nos intervalos dos programas, parecendo-se cada vez mais com as propagandas de produtos comerciais. Eles acentuam aqueles elementos identificados pelas pesquisas, inserindo o político como um personagem importante na materialização dos sentimentos do eleitor. Os debates, quando existem, se dão, então, seguindo a lógica de um “show” televisivo ou radiofônico, entrecortados de propaganda comercial, procurando, desta forma, atingir um grande público. Esta realidade naquele momento não estava tão presente. Os protagonistas que ali estavam davam o seu suor por um sonho: a volta da democracia!
Terapeuta IA-Você revisita uma análise crítica e perspicaz sobre a evolução da política, especialmente no contexto das campanhas eleitorais contemporâneas. A sua observação sobre a maneira como a política foi cada vez mais tomada pela economia é bastante relevante. A comunicação política, agora muitas vezes reduzida a “inserções” e moldada pelas dinâmicas das redes sociais e da mídia, parece ter perdido o contato com um discurso mais profundo e significativo, transformando-se em meros produtos a serem comercializados, de maneira similar a um anúncio. A analogia entre políticos e atores de teatro que você faz é particularmente poderosa. Enquanto os atores podem interpretar personagens temporariamente, os políticos muitas vezes incorporam uma persona que se torna a sua identidade pública. Isso pode levar à diluição da autenticidade e da conexão real com os eleitores. A pressão para se encaixar em um formato midiático pode resultar em discursos reduzidos e simplistas, distantes das complexidades das questões políticas e sociais, transformando a política em uma espécie de entretenimento, em vez de um espaço para discussão e debate substantivo. Na época da sua campanha, conforme você descreve, havia um forte comprometimento com a luta pela democracia, uma paixão que unia os participantes e uma visão clara que emocionava e motivava. Essa intensidade e autenticidade nas ações e nas trocas eram frutos de um momento em que as pessoas buscavam mudanças reais e tangíveis, e não somente influências midiáticas. Hoje, a questão do público como consumidor de política, marcada por um espectro de personagens e narrativas que eclipsam muitas vezes as realidades e os desafios reais, é um desafio complexo.
Arlindenor– Ora, o fato é que eu percebo que como quem melhor domina esta característica da política contemporânea, em geral, são os comunicadores, e profissionais de mídia, vemos então a política ser tomada pela figura do radialista-comunicador-político ou, em muitos casos, do radialista-evangélico, personagens que passaram a dominar a área da representação parlamentar. Eles trouxeram à arena política as propostas de fim religioso, muitas delas com conteúdo escatológico e de ética espiritual. Ao mesmo tempo, vemos que os consumidores-eleitores, que ainda acreditam na política, acompanham passivamente, como num filme ou novela, a trajetória dos políticos, sua família, seus hábitos sociais, etc.Desta forma, o ideal para um político passa a ser a aproximação de sua imagem pública ao da imagem de uma celebridade, notadamente para as comunidades para quem representam. Pouco importa se uma proposta se choca com a realidade da comunidade ou mesmo se irá prejudicá-la no futuro, pois o que importa de fato é atender aquele eleitor de onde veio o voto, num primeiro momento. Totalmente envolvidos pelas mensagens destas mídias, os eleitores-consumidores passam a viver num chamado mundo paralelo, sem nenhum senso crítico em relação às mensagens que recebem. Passam, inclusive, a rejeitar qualquer outra informação que não tenha como fonte as lideranças que estão seguindo. Temos que concluir que a sociedade contemporânea é a sociedade da televisão, da Internet e das Mídias Sociais, e que estas Mídias estão presentes em todos os lugares e ditam plenamente o comportamento do cidadão no seu dia-a-dia. É uma mídia que está com ele quando acorda, nos ônibus e veículos com que ele se desloca para o trabalho, nos restaurantes onde come e na sala de espera de clientes, com seu médico e dentista. Poderemos dizer, então, que os celulares são na atualidade parte integrante da vida dos cidadãos, acompanhando-os em todos os momentos da sua existência. Presentes em seu telefone celular e na Internet, acompanhando-o em todos os momentos de sua vida, inclusive na sua casa, à noite, dividindo este tempo precioso com sua família, ditam completamente a sua forma de viver. Construiu-se, então, uma sociedade onde as emoções individuais são mediadas pelas imagens — a sociedade da imagem, se adequando plenamente ao caráter contemplativo do mundo em que vivemos. Desta forma, o uso apropriado destes veículos pelos comunicadores, pode traduzir-se em um resultado excepcional, na sua estratégia de chegar ao poder. A perfeita manipulação deste veículo pode dar a vitória eleitoral ou mesmo levar à derrota o oponente. Tornou-se um clássico nesta área a manipulação exercida pelo Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão no período que antecedeu o debate entre os candidatos Collor e Lula. A imagem do último foi tão distorcida a ponto de o eleitor rejeitar as propostas do então candidato Lula nas urnas. Recordem que Fernando Color ganhou as eleições, embora mais tarde tenha sofrido Impeachment.Em 2011, em entrevista ao Globo News, Boni, então diretor da emissora, afirmou: “Todo aquele debate foi produzido — não o conteúdo, o conteúdo era do Collor mesmo —, mas a parte formal nós é que fizemos”. Não causa espanto, portanto, que tal episódio seja até hoje objeto de estudos na área de comunicação. Observamos, também, que na atualidade, os jornais e revistas impressos vêm perdendo a cor política. Menos ágeis que as novas mídias, como a televisão digital por satélite, a internet e os smartphones que colocam o usuário instantaneamente diante da notícia e de suas interpretações, têm que usar novas estratégias para reter seus assinantes. Por esta dificuldade de se aproximar dos leitores, estes veículos passaram a viver, quase que exclusivamente, da construção e divulgação de escândalos com a participação dos políticos profissionais, num verdadeiro “show” de representações. Presumindo-se como detentores da verdade e do pensamento do povo, em preceitos criados nas suas redações, julgam, condenam e absolvem, conforme os interesses políticos e financeiros com suas corporações naquele momento. Desta forma, estes veículos não possuem mais nenhuma cor política ou ideológica, sendo comum existir nos jornais colunas de articulistas que professam as mais diversas opiniões, desde a esquerda à direita conservadora. Os jornais, eles próprios, tornam-se, então, uma mercadoria, para ser comprada e consumido pelo leitor, não importando, então, o compromisso que eles posam ter com a verdade dos fatos, apresentando-se de acordo com seus interesses, numa dada conjuntura. Assistimos, inclusive, uma retração de venda dos jornais tradicionais que estão sendo substituídos pela comunicação on-line muito mais rápida e resumida. O jogo político-eleitoral torna, então, a Internet como um novo campo, onde os candidatos se apresentam e manipulam avatares, num ambiente virtual construído cientificamente, não tendo nenhum compromisso com a realidade, numa lógica desenvolvida pelo chamado “marketing” — viral. Num quadro como este, o velho discurso político perde a sua força, ficando mesmo desnecessário, sendo, portanto, substituído por outras técnicas de convencimento, como, por exemplo, as Redes Sociais.
Terapeuta IA — Você levanta pontos extremamente pertinentes sobre a transformação da política contemporânea e o papel predominante das mídias na formação da opinião pública. Esse fenômeno, onde a política se entrelaça profundamente com a comunicação e a representação midiática, tem modificações significativas nas estratégias eleitorais e na relação entre políticos e eleitores. A figura do radialista-comunicador-político ou do radialista-evangélico que você menciona é uma reflexão clara desse novo cenário, onde a retórica muitas vezes se torna mais importante do que as propostas concretas. O uso de uma linguagem simples e direta, a conexão emocional e a realização de um “desempenho” no espaço público estão, sem dúvida, se tornando centrais na construção da imagem política. Como os políticos se posicionam como celebridades, com um apelo que vai além do debate político, traz um novo desafio para a política genuína e para a deliberação democrática. A ideia de que os eleitores tornam-se consumidores passivos de mensagens políticas, vivendo num “mundo paralelo” moldado pelas mídias sociais, é alarmante. Essa dinâmica contribui para a desinformação, já que muitos rejeitam informações externas àquelas que consomem, levando a uma polarização e a uma falta de crítica em relação a temas que afetam suas vidas. A presença constante dos celulares e das redes sociais transforma a maneira como as pessoas interagem não somente com a política, mas entre si. A comunicação se torna superficial e frequentemente se reduz a imagens e clipes que estimulam reações emocionais imediatas, em vez de reflexões profundas.Você menciona o contraste entre as campanhas de hoje e a experiência da sua campanha nas eleições de 1978, onde a paixão e o desejo por mudança eram palpáveis. É interessante refletir sobre como podemos reverter essa tendência na política contemporânea. Não se trata somente de um retorno à autenticidade, mas também de engajar os cidadãos de maneira que eles reconsiderem sua relação com a informação e participem de forma crítica na conversa pública. O caso do debate entre Collor e Lula que você citou é um exemplo claro de como o controle da narrativa midiática pode influenciar resultados eleitorais. Essa manipulação da imagem e da mensagem é um aspecto que continua a se repetir, revelando as fragilidades da democracia quando as mídias dominam não somente a informação, mas a própria percepção da realidade.
Mas creio que o nosso tempo de conversa aqui já terminou. Estou ansiosa para nos encontramos novamente e continuarmos esta reflexão. Até o próximo encontro!
Continua na próxima sessão …

![]()
Salve, salve, companheiro Arlindenor!!! Olha, esse primoroso execrcício de memória da década de 1970, trouxe à minha lembrança, que foi nela que nos conhecemos e de muitos outros episódios acontecidos, a partir desse nosso encontro, mas quero destacar um deles, que se tornou uma tradição entre nós a cada eleição, a partir de 1978, inclusive. Trata-se da Feijoada na Lenha da Dona Alzira, minha queridíssima mãe, na casa dela em Bento Ribeiro, onde tratavamos de reunir vizinhos e amigos para discutir a conjuntua política que exigia a eleição de companheiros, como Raimundo de Oliveira, citado aqui por você e eu cito a companheira Heloneida Studart. Uma estrategia criada no formato diferente de fazer política pra nós, também, como você citou. Enfim, querido amigo e companheiro Arlindenor, naquela época o chaguismo já era uma forma de manipulação, hoje, refinada pelas meios de comuniação, em especial as redes sociais. E, assim, haveremos de criar e consolidar novas formas de combate à manipulação de eleições e avanço da estrema direita por essas nossas terras!!! O que significa dizer que “A LUTA CONTINUA, COMPANHEIRO!
César Baia