No centro da guerra comercial e tarifária desencadeada por Trump está a China, fato esse que ficou mais claro ainda hoje quando o governo dos EUA anunciou mais um extraordinário aumento da tarifa contra o gigante asiático – agora em 125% –, com uma redução global para 10% para os demais países.
Com os EUA e a China no epicentro da “guerra”, cabe indagar acerca das condições políticas internas de cada contendor para o enfrentamento dos desdobramentos da crise…
Nesse aspecto particular e importantíssimo, não há como negar – me parece – que os chineses se encontram em posição de vantagem vis-à-vis seus adversários estadunidense.
Na política dos EUA está se estabelecendo, ao que tudo indica, de modo consistente e crescente, uma crise de hegemonia sem paralelo desde o fim da Guerra da Secessão.
O aparecimento do fenômeno Trump e do trumpismo é, a um só tempo, sintoma dessa crise de hegemonia e fator para o seu incremento.
As medidas tarifárias tomadas por Trump têm potencial para, no plano interno, aprofundar ainda mais a já profunda divisão na sociedade estadunidense, divisão essa que a atravessa de cima a abaixo, desde a burguesia até os trabalhadores mais empobrecidos; e, no plano externo, para exportar para o mundo a sua crise de hegemonia.
Coisa totalmente diversa acontece na China, já que, até onde a vista alcança, não há qualquer traço de crise de hegemonia na China.
Na China, a equação das três variáveis (governo, poder e hegemonia) parece acentuadamente mais bem resolvida do que nos EUA – quanto a isso parece não haver margem à dúvida –, o que pode desempenhar papel importantíssimo no desenrolar da crise.
Em meio à decadência do Império, tudo nos EUA parece estar sob o signo do instável e provisório. Tudo na China parece estar sob o signo contrário.
De um lado, não há consenso acerca da saída para a decadência do Império. Do outro, o vigor do projeto de nação em curso…
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