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Um Congresso contra o país:Niilismo, Populismo e o Fim do Pacto Republicano-Alexandre G. Nordskog

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 3 leitura mínima

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Um congresso contra o país -um artigo do professor Alexandre G. Nordskog

Estamos vivendo em tempos de abalo das instituições que animam o Estado Democrático de Direito no Brasil e em outros países do planeta. É preciso pensar com atenção as especificidades do caso brasileiro.

O colapso da democracia no Brasil se configura na usurpação visível do orçamento federal, dedicado a bancos e ao custeio de uma máquina governamental faraônica, ineficaz, ineficiente e inefetiva. Somado ao colapso das relações institucionais entre os três Poderes da República, o comprometimento de receita sabota qualquer tipo de projeto de desenvolvimento robusto e frustra a expectativa de mobilidade social.

As democracias liberais não morrem apenas porque oportunistas situados em qualquer ponto do espectro ideológico da política imprimem um populismo kamikaze que sabota as bases democráticas por dentro. Morrem também porque se tornam incapazes de enfrentar republicanamente os grandes problemas nacionais e já não conseguem assegurar um futuro crível para as maiorias insatisfeitas.

O sentimento que emerge é o niilismo, vitaminado pela anomia e pelo desejo de vingança. O Congresso é um reflexo dessa conjuntura. Tirando a minoria, são parlamentares venais, histriônicos, descompromissados, mas que falam às bases pelos meios eletrônicos e, por estes meios, transmitem fúria, criam identidade e pertença. Se roubam ou não, pouco importa no momento. Bolsonaro já chegou a admitir que usava dinheiro da gasolina quando era deputado para finalidades impróprias. Recentemente arrecadou 17 milhões em doações e declarou rindo diante do STF que agora vai gastar.

O escárnio ao se referir às instituições é desejado, o desprezo festejado. Quem quiser acreditar em lavagem cerebral, lobotomia coletiva ou mesmo ignorância para justificar a opção por tais representantes que o faça. A sombra rebelde das maiorias silenciosas desafia tal interpretação. Não são poucos que optaram conscientemente pelo “quanto pior, melhor”.

Algum tipo de pacto em torno de um Projeto Nacional de Desenvolvimento somado ao recrutamento de brasileiros e brasileiras, hoje distantes, para operar no espaço público seria um caminho – espinhoso, mas a ser tentado. A Universidade poderia estar envolvida nesse plano. Contudo, os vampiros da Fazenda Pública resistem e se antecipam sempre. Seu lobby é muito forte. Dentre diversas medidas, eles manejam para que a visibilidade da crise seja reduzida a conflitos de valores e subornam segmentos inteiros da mídia para impor a pauta que lhes é oportuna.

Desse modo, imprimem na prática a máxima de Tomasi di Lampedusa, no clássico Il Gattopardo: “é preciso que tudo mude, para que tudo permaneça igual”.

Alexandre G. Nordskog
é cientista político e professor universitário

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
1 comentário
  • 1) Sobre o “colapso da democracia brasileira”
    Considerar que há um “colapso da democracia brasileira” me parece inadequado, já que, a bem da verdade, tal como eu vejo as coisas, jamais tivemos democracia entre nós.
    2) Sobre a “captura do orçamento público”
    Essa captura -fato real – significa o esvaziamento do Executivo frente ao Congresso, mas não o “colapso” de uma democracia que jamais vivemos…
    3) Sobre a “falência das instituições”
    Falência das instituições implica anomia, situação essa que ainda não se configurou entre nós. A situação atual é, me parece, de “crise de representação” crescente, sem possibilidade de reversão à vista. O agravamento da “crise de representação” muito provavelmente nos levará à “falência das instituições”, mas a anomia ainda não está presente. Isso me parece evidente.
    4) Sobre o “avanço de um niilismo político corrosivo”
    Na instância ideológica – as três considerações acima são da instância política –, considero adequado colocar a coisas nesses termos. A perda de vigor normativo de valores universais (a “morte de Deus”, segundo Nietzsche), abre campo para a equivalência dos valores, isto é, para o niilismo. O niilismo é uma realidade crescente…
    5) Sobre o “escárnio (que) substitui a ética”
    Colocar as coisas nesses termos não me parece adequado, já que, em política, a ética jamais pode ser tomada como medida.
    6) Conclusão
    Temos aqui, mais uma vez, uma demonstração da falta de rigor conceitual. Indignação moral não basta para trazer luz à compreensão dos fenômenos…

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