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Xandão e os donos do poder-Luiz Carlos de Oliveira e Silva

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 5 leitura mínima

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O texto de Luiz Carlos de Oliveira e Silva “Xandão e os Donos do Poder” apresenta uma análise crítica do papel do ministro Alexandre de Moraes na contenção da extrema-direita no Brasil. Reconhecido por sua atuação firme, o autor argumenta que Moraes, por estar ligado à elite paulista, acreditou estar imune às pressões do sistema, mas agora enfrenta sinais de desgaste, simbolizados por matérias críticas na grande mídia. O texto traça paralelos com figuras como Cunha e Moro, descartadas após cumprirem suas funções para o sistema. Sugere que Moraes, apesar de sua lealdade, pode estar sendo reposicionado pelos “donos do poder”, o que acende alertas tanto à direita bolsonarista quanto a setores progressistas, estes últimos por sua defesa acrítica de um STF que, segundo o autor, promove pautas neoliberais.

O ministro Alexandre de Moraes desempenhou papel decisivo na defesa do “sistema” frente a ameaça da extrema-direita, foi reconhecido pelos serviços prestados, mas, também ele sucumbiu àquela mesma ilusão que levou à desmoralização, antes dele, em situação semelhante, Eduardo Cunha e Sergio Moro.

Moraes, talvez por ser um quadro orgânico da plutocracia paulista – coisa que Cunha e Moro nunca foram –, ao que tudo indica, considera-se, por isso, portador de um salvo-conduto moral, a ponto de não ver problema algum no fato de o escritório da mulher e dos filhos celebrar o que muitos consideram ser um dos mais caros contratos de advocacia da história do Brasil, para emprestar proteção a um banqueiro de esquema Ponzi.

Pois é, como dizia o celebrado colunista Carlos Castelo Branco, a ilusão política é a mais potentemente ilusória dentre todas as formas de ilusão…

Cunha e Moro, uma vez realizado o “trabalho sujo” do impeachment da Dilma, da destruição da engenharia nacional, da desmoralização da Petrobras e da prisão de Lula, foram levados a reconhecer que não dispunham de poder algum, descartados que foram pelo “sistema” sem mais aquela.

Chegou a hora de os donos do poder, uma vez derrotada a “trama golpista” e penalizada a “quadrilha armada”, reconduzirem Alexandre de Moraes à sua real dimensão?

A demissão do Grupo Globo de Daniela Lima e a matéria de Malu Gaspar colocando Moraes na berlinda estariam enviando a mensagem dos donos do poder ao STF: “obrigado por tudo, mas é hora de todos os senhores relembrarem que são subordinados e não chefes, e de voltarem à caixinha da discrição que os magistrados devem observar por dever de ofício”?

A conferir…

Alexandre de Moraes subiu no telhado, e, penso, as negociações serão pesadas para lhe dar uma sobrevida digna. Os donos do poder são implacáveis, e, mesmo um quadro como Xandão, que um dia viveu a ilusão de que ser fiel bastaria, não está a salvo.

Fato é, me parece, que a desconstrução de Moraes está enchendo (1) de esperança o bolsonarismo e (2) de preocupação os setores hegemônicos do campo progressista.

A esperança e a preocupação vêm, ambas, da possibilidade de à desgraça de Moraes suceder o que sucedeu à desgraça de Moro, isto é, a anulação dos processos…

Os donos do poder podem livrar a cara do banqueiro Ponzi, mas dificilmente a madame Moraes, com seu contrato multimilionário para lá de inusitado, sairá ilesa, o que atinge em cheio o senhor Moraes.

A conferir…

Por fim, como não reconhecer que a defesa de Moraes e de sua mulher que o petismo vem fazendo de modo tão acrítico implica fazer do campo progressista uma força auxiliar do STF, de uma instituição que vem desempenhando papel importante na implantação da agenda neoliberal, antinacional e antipopular, de desconstrução do Estado e de liquidação dos direitos?

Luiz Carlos de Oliveira e Silva

Luiz Carlos de Oliveira e Silva,é filósofo, carioca da Vila da Penha ,morador do centro do Rio de Janeiro e botafoguense escrachado.

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
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