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Relativismo Moral e o Processo de Anomia em Curso -Luiz Carlos de Oliveira e Silva

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 6 leitura mínima

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Este texto do filósofo Luiz Carlos de Oliveira e Silva analisa criticamente a crise contemporânea da moralidade pública no Brasil, articulando um caso concreto envolvendo altas autoridades do Estado a um processo mais amplo de descrédito institucional. O autor sustenta que, embora certas práticas possam não ferir a legalidade estrita, corroem profundamente a legitimidade ética das instituições republicanas. A partir do conceito sociológico de anomia, argumenta-se que a relativização sistemática da moral pública abre caminho para a desagregação da ordem política. O ensaio alerta para o esgotamento da ordem vigente e para o risco de que sua superação ocorra sob hegemonia totalitária de direita . Ao final, convoca o campo progressista a romper com a acomodação e a disputar, de forma ativa, a reconstrução democrática da nação.

Relativismo Moral e o Processo de Anomia em Curso – um texto de Luiz Carlos de Oliveira e Silva

O PGR Paulo Gonet teria dito que o contrato multimilionário supostamente celebrado entre o banco-de-esquema-Ponzi Master e o escritório de advocacia da esposa e filhos do ministro do STF Alexandre de Moraes não seria ilegal.

Não sendo ilegal, sabemos todos que é claramente imoral, por se tratar de evidente compra, a peso de ouro, de “proteção” por parte do banqueiro-Ponzi.

Os que acompanham as minhas postagens aqui no Facebook, os meus vídeos no YouTube e as minhas entrevistas no Faixa Livre sabem que venho há anos insistindo em chamar a atenção para o que julgo ser a mais profunda, permanente e problemática característica da atual conjuntura, a saber: o processo em curso de descrédito crescente nas instâncias estatais, processo esse que, caso não seja estancado a tempo, irá nos conduzir, no limite, a uma situação de anomia.

Anomia é uma palavra derivada do grego que literalmente quer dizer “sem lei”. Quando aplicada à compreensão das sociedades ela aponta para uma situação extremada de, podemos dizer analogamente, falência múltipla dos órgãos da República, ocasião em que todas as instâncias estatais, sejam as do Executivo, sejam as dos Legislativo e Judiciário caem em total e irreversível descrédito perante uma população perplexa e desesperada.

Os processos cujo desfecho “lógico” é a anomia se desdobram em diversas camadas, sendo a mais visível aquela onde a relativização crescente da moralidade pública torna “natural” toda e qualquer má-conduta de suas excelências, sejam, por exemplo, orçamentos secretos do Congresso, transações comerciais com dinheiro vivo levadas a cabo por autoridades, escritórios de advocacia com causas nas cortes superiores tocados por parentes próximos de ministro dessas mesmas cortes, ou as edições anuais da pajelança-ostentação da “Gilmarpalloza”.

É fato que não há lei positiva no nosso arcabouço jurídico que impeça o escritório Barci de Moraes de celebrar contrato com cliente com demanda no STF, levando assim dezenas de milhões de reais para a família do ministro Alexandre de Moraes.

Só a lei moralidade pública poderia impedir tamanho descalabro! Mas, em situações como a que estamos vivendo – de processo de descrédito crescente nas instâncias estatais –, a moralidade pública se desmancha como lágrimas na chuva.

Mostra a história que os processos em direção à anomia dificilmente chegam ao seu termo, sendo interrompidos antes pela implantação de uma nova ordem imposta pelas forças políticas que, lutando contra a ordem em decadência, amealharam condições políticas para tanto.

Quando o petismo majoritariamente, mais uma vez, abraça a ordem em decadência – como nesse caso em que faz uma defesa servil e acrítica de Alexandre de Moraes e do contrato celebrado por sua mulher com o banqueiro-Ponzi –, ele dá mostras, mais uma vez, de que não será a força política que irá disputar com a extrema-direita a implantação da nova ordem política quando, digamos assim, chegar a hora da verdade.

Assim, ou o campo progressista constrói com a urgência exigida pela dramaticidade da hora uma força política capaz de disputar com a extrema-direita a reconstrução da nação, ou, os que sobreviverem ao banho de sangue terão que viver sob um Estado totalitário antinacional, antipopular e antidemocrático até a medula.

Janeiro de 2026

Luiz Carlos de Oliveira e Silva

Luiz Carlos de Oliveira e Silva,é filósofo, carioca da Vila da Penha ,morador do centro do Rio de Janeiro e botafoguense escrachado.

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
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