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Este texto de Dalton Rosado é uma crítica contundente à crise estrutural do capitalismo contemporâneo. Ele parte da constatação histórica do caráter genocida do sistema capitalista, ilustrado por guerras e destruição em massa, e analisa a atual desagregação econômica e política como resultado da autodestruição da lógica do valor. Rosado denuncia a falência da mediação social pelo trabalho abstrato, acentuada pela automação e inteligência artificial, que tornam o trabalho humano cada vez mais obsoleto.


“As máquinas e robôs da IA farão mais e melhor as coisas que o homem pode fazer… Vamos instituir uma RBU (renda básica universal) para suprir capacidade de consumo.”
Elon Musk durante o World Government Summit em Dubai.
A atual conjuntura político-econômica mundial-um texto de Dalton Rosado
Nos últimos duzentos anos, período em que se consolidou a republicanismo burguês e sua ordem jurídico-constitucional genocida (nunca houve nenhum período da história que as guerras tenham matado tanta gente como esse), o mundo conviveu com a repetição cíclica de crises do capitalismo e com guerras civis e a busca de hegemonia de países contra países. . Algumas das principais:
– Guerras napoleônicas (1803 a 1815);
– Guerras de independência nas Américas e civis na América latina como a guerra da secessão nos Estados Unidos (1861 a 1865);
– Guerra franco-prussiana na Europa (1864 a 1871) com a unificação da Alemanha;
– Rebelião do Taiping na China na qual morreram cerca de 20 milhões (1850 a1864);
– E tantas outras, que foram desembocar na maior matança humana das duas guerras mundiais (1814 a 1818 e 1939 a 1945) nas quais morreram cerca de 3% da população mundial.
A conclusão é clara: o capitalismo é genocida.
Agora, momento no qual a depressão econômica mundial se expressa claramente na queda da curva de crescimento do PIB mundial pari passu ao aumento da dívida privada e pública crescente numa rota de acelerada de colisão rumo ao colapso, com ele vem a desagregação política de uma ordem criada para servir ao Deus Valor (dinheiro e mercadorias) que se autodestrói pelos próprios fundamentos.
Assim, a disfuncionalidade social da metafísica do capital gera a inconciliável briga por um espólio falido pela via política que é incapaz de compreender e aceitar que a lógica do capital chegou ao fim da linha com os governos e seus governantes ególatras querendo continuar o féretro de um defunto que insiste em não ser sepultado.
Há coisa mais ridiculamente narcisista, mas belicamente perigosa, do que a reincarnação do lebensraum nazista pelo TRUMPirata do Caribe a partir da Casa Branca em Washington querendo ser dono do mundo???
Na esteira da megalomania político-econômica de bilionários na política se pode aceitar que eles instituam um voucher sobrevivência por eles controlados como propôs Elon Musk no World Government Summit em Dubai??
Por outro lado, diante da clara decadência do capitalismo ocidental estadunidense ora em curso, que se soma à decadência dos países da União Europeia, surge o espaço de disputa por hegemonia capitalista pelos países que se aglutinam como força de produção de mercadorias a partir da junção de multinacionais que se deslocam dos países de origem (a grande maioria do ocidente) em busca de mão de obra barata, endividamento crescente para fazer face à exigência de capital constante (equipamentos, instalações, energia, pesquisa, etc.) e subsídios fiscais.
Esse deslocamento da produção de mercadorias se soma ao fenômeno da Inteligência Artificial que permite que máquinas simulem habilidades humanas nos vários campos da vida social de modo que o trabalho abstrato se torna cada vez mais prescindível em maior parte na produção de mercadorias, gerando novos nichos de receita para os países detentores dessa tecnológica microeletrônica/cibernética, mas que, paradoxalmente, implode toda a lógica de produção do valor, ou seja, torna inviável a relação social capitalista pela redução da massa global de valor.
Sem produção de valor nos níveis necessários para a irrigação funcional da mediação pelo dinheiro como valor válido, advindo da produção de mercadorias, todo o organismo capitalista morre de inanição; é aí que o dinheiro, que deve ser a expressão monetária do valor, já é em grande parte dele desconectado, vive sob emissão de moeda sem lastro, oficial falsa, gerando inflação, fenômeno que ora assola o mundo inteiro.
O dinheiro, que é a mercadoria das mercadorias, e a única que não tem valor de uso intrínseco, ou seja, é a abstração meramente numérica no mais alto grau de sua metafisica funcional, quando desconectado do valor, corresponde ao recurso suicida de uma ordem econômica que roda em falso, como ora ocorre.
É sob esse contexto de depressão capitalista que a guerra comercial perde espaço para a força militar altamente desenvolvida sob um comando político de governos que manipulam a insatisfação popular inconsciente do que está por trás da perda coletiva da qualidade de vida pela maior parte da população.
O crescimento eleitoral da direita no mundo atual se escuda numa mentira de salvação, tal como cresceu Hitler diante da penúria da Alemanha dos anos vinte e início dos anos trinta do século passado com a enganosa cantilena nacionalista e racista do nazismo de retomada alemã do progresso e prosperidade.
Enquanto isso vivemos o aquecimento global gerado pela emissão na atmosfera dos combustíveis fósseis, com o petróleo ainda sendo disputado à tapa e novas extrações sendo liberadas como fonte de sustentação econômica.
A irracionalidade da permanência do uso dos combustíveis fósseis se prende ao fato de que há uma enorme gama de atividades econômicas ligadas à produção e comercio dos combustíveis na era do desemprego estrutural, tornando-se uma exigência suicida do sistema produtor de mercadorias; tudo converge a uma fuga para a frente como se fôssemos uma manada que segue veloz para o precipício.
Há, portanto, uma cegueira quanto à identificação social da causa dos problemas, e mais ainda da solução dele.
A causa fundamental dos problemas sociais reside no sistema produtor de mercadorias que entrou numa espiral de contradições que denunciam a sua ilogia diante do avanço do saber tecnológico aplicado ao próprio sistema e por ele provocado paradoxalmente e com ele a descerramento da máscara de caráter democrático da política.
Ora, por que não se quer identificar a causa do problema e se intensifica a prática dessa mesma causa como solução???
Por que não se pode produzir bens de consumo e serviços apenas pelo seu valor de uso que satisfaça as necessidades humanas e sociais, superando-se o famigerado valor de troca, substrato oportunista de uma relação social escravista que se aprimora por milênios???
Por que se ignoram os números macroeconômicos (principalmente os economistas burgueses que só apontam saídas ineficazes, sem falar que precisam eles mesmos criticar a ciência da qual e na qual são profissionais) que estão a demonstrar a correção dos prognósticos de Karl Marx na sua crítica da economia política, na qual demonstrou cientificamente a prospecção do que hoje está a ocorrer?
Nada se faz nesse sentido justamente porque a negação do valor de troca simplesmente desnuda toda a engrenagem da dominação política que está posta a seu serviço, mas que para desencanto de todos (direita e maior parte da esquerda) agora encontra o seu limite existencial.
A grande rebelião das populações empobrecidas do mundo, que ora atinge pincipalmente a juventude que chega à idade adulta esbarrando no desemprego estrutural, precisa tomar consciência de que nunca foi tão factível se prover as necessidades de consumo se se aliar o uso das máquinas ao conhecimento adquirido pela humanidade nos vários campos do saber que promove níveis de produtividade jamais imaginados, se destravarmos da vida social o famigerado critério da “viabilidade econômica” que subordina todo o fazer a uma paralisia inaceitável.
Antes de nos armarmos para a guerra, como ora se faz, porque não nos desarmarmos para a paz, diferentemente do que propõe o entusiasta digno do “Prêmio Nobel da Guerra”, sentado na cadeira Presidencial dos Estados Unidos como um imperador sanguinário a arrotar poder da força como se fosse chefe de gang de bullying de escola primária???
Viva Karl Marx e sua crítica da mercadoria, contida no seu “Das Kapital: kritik der polkitischen”, como se tal capítulo correspondesse ao resumo de tudo o que escreveu.
Fortaleza, janeiro de 2026
Dalton Rosado.

Dalton Rosado é carioca do Rio Comprido,advogado, escritor, articulista de blogs e jornais, e desde longa data atuou contra a ditadura militar. Foi fundador do PT e do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza com o Cardeal Lorscheiderr de quem foi advogado. Foi um dos coordenadores da Vitória de Maria Luíza para a Prefeitura em 1985, de quem foi Secretário de Finanças e candidato a Prefeito contra Ciro Gomes. Ê membro do Critica Radical de Fortaleza, cidade onde reside atualmente
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