Fundado em novembro de 2011

Crise de hegemonia e extrema direita-Luiz Carlos de Oliveira e Silva

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 3 leitura mínima

A crise atual é multifacetada, profunda, e há indícios de que não será superada tão cedo, já que a sua superação exige o que não está à vista: a constituição de uma nova hegemonia na sociedade brasileira.

Uma crise de hegemonia acontece quando nenhuma força política, seja isoladamente, seja em composição, consegue se impor à nação, “constrangendo” politicamente as demais.

A crise de hegemonia é uma das mais salientes faces da crise atual, uma dimensão da crise que a retroalimenta permanentemente, sem solução à vista.

Estamos vivendo uma crise de hegemonia porque a extrema-direita tem força, mas não a ponto de impor o seu projeto de poder; ao passo que a coligação que se formou em torno de Lula e Xandão é amorfa o bastante para se credenciar como via de superação dela.

A extrema-direita tem projeto de poder e, pelo jeito, não o abandonou depois da porra-louquice do dia 8 de Janeiro.

Parece que aprenderam a lição… Consciente da necessidade de ampliar as suas forças, a extrema-direita vem trabalhando em duas frentes: na frente estridente onde pontificam figuras como Bolsonaro e Malafaia, cujo objetivo é manter a tropa coesa e com moral elevado; e na frente silenciosa da “produção de subjetividade”, onde operam empreendimentos “culturais” os mais diversos, como esse do filho do Pedro Simon.

Essa frente ideológica é importantíssima tendo em vista criar as condições subjetivas para a superação à direita da crise de hegemonia, que só poderá acontecer mediante a refundação reacionária e totalitária da República.

A frente ideológica de “produção de subjetividade”, de efeitos a médio e longo prazos, se combina com a nova linha política de ação imediata apresentada no ato da avenida Paulista desse domingo, a saber…

Abandono do “putschismo” inconsequente, tipo 8 de Janeiro; mitigação do confronto com Judiciário, e empenho para manter a polarização política, com a radicalização do aspecto religioso de sua pregação política e com a defesa das polícias em suas ações de extermínio.

Resta notar que só a extrema-direita está se preparando adequadamente para a superação da crise de hegemonia em curso, que, ao que tudo indica, veio para ficar.

Ainda sobre hegemonia: havia uma força política que claramente hegemonizava politicamente a sociedade brasileira. Essa força política se constituía na e pela polarização PSDB-PT. Com o impeachment de Dilma, esse polo hegemônico foi descontruído e começou a crise de hegemonia, que não é econômica mas política e ideológica.

Loading

Compartilhe este artigo
Seguir:
Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
1 comentário

Deixe uma resposta para DarcioCancelar resposta

Descubra mais sobre Ensaios e Textos Libertários

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Ensaios e Textos Libertários