As últimas atitudes de Elon Musk, debochando do STF, mostram que ele integra a força-tarefa do bolsonarismo empenhada em desmoralizar as instituições da República brasileira. Como venho dizendo aqui insistentemente, essa desmoralização levada a termo – a anomia – é condição sine qua non para o sucesso do projeto de poder da extrema-direita, que não é outro senão a implantação de um Estado totalitário de direita, de caráter pré-moderno, no país.
A plutocracia se valeu à larga da política econômica do governo Bolsonaro, comandada pelo hiper-neoliberal Paulo Guedes, mas quando viu seus interesses ameaçados pelo projeto de poder da extrema-direita liderado pelo ex-presidente, procurou reagir à altura…
Para uma reação à altura, a plutocracia percebeu que não bastava impor uma derrota eleitoral a Bolsonaro – uma necessidade urgente –, era preciso também, avaliaram, “cortar a cabeça” dos próceres do bolsonarismo.
Para a necessidade imediata, a plutocracia não teve alternativa senão a de “anistiar” Lula, por reconhecer nele o único candidato em condições de vencer Bolsonaro nas urnas. Estavam, não sem razão, seguros de que o compromisso do “sapo barbudo” expresso na “Carta aos banqueiros” ainda estava de pé, e precisariam “engoli-lo” mais uma vez.
Para a segunda tarefa, a plutocracia definiu que caberia ao STF botar a mão na massa, sob a direção sempre diligente do ministro Alexandre de Moraes. Xandão não vem se fazendo de rogado, e, sabemos todos, missão dada tem que ser cumprida.
Acontece que, as ações de Xandão, do modo com vêm se dando, a médio e longo prazos fortalecem as tendências em curso que estão nos levando para a anomia.
(O processo que está nos conduzindo à anomia é um “processo sem sujeito”, mas há muitos sujeitos atuando no interior dele de modo a acelerar o seu curso…)
Acontece também que o bolsonarismo não é uma força que se deixa vencer nem eleitoralmente, nem com degola de algumas cabeças, porque é uma força política que retira a energia vital de um conjunto de circunstâncias que têm raízes profundas, fato esse que nos permite dizer que ele pode sobreviver aos ataques que vem sofrendo.
O que faz a extrema-direita ter a força e a resiliência que vêm demonstrando ter encontra-se, dito da forma a mais sintética possível, na crise da Modernidade, entendendo a Modernidade como o “estado da arte” da Civilização Ocidental. Desde o último quarto do século passado vem se generalizando o sentimento de que a Modernidade (e suas principais ramificações: a ciência, o progresso, a democracia etc.) não entregou o que prometeu com tanto alarde e filosofia.
A extrema-direita – como não reconhecer? – é a força política que mais eficientemente tem conseguido dar sentido político a essa desilusão (e a ressentimentos de variados tipos conexos), levantando, muito convenientemente, bandeiras de claro conteúdo pré-moderno.
A Modernidade está saindo de moda…
A crise da Modernidade é profunda, como é profunda a crise que atinge várias de suas ramificações. Dessa crise alimenta-se a extrema-direita, por isso não há exercício de futurologia na afirmação que ela, a extrema-direita, tal como a crise da Modernidade, veio para ficar.
Contudo, a extrema-direita que vive da crise da Modernidade, que vem trabalhando com êxito para o seu aprofundamento, ela própria não é uma solução sustentável para crise. Com a extrema-direita no poder, teremos muito “ranger de dentes” e rios de sangue, e isso agravará ainda mais a crise por que passa a Civilização Ocidental…
Eis aqui o busílis: vivemos uma profunda e inédita crise de hegemonia, e nenhuma das atuais forças políticas têm condições de dirigir processos capazes de instaurar uma nova hegemonia, como o fez a burguesia revolucionária nos albores da Modernidade.
A construção de uma força política capaz de “resolver” a crise de hegemonia que nos assola é a principal tarefa que pesará nos ombros das próximas gerações. Cabe a nossa geração chamar a atenção para essa necessidade…
(O processo que está nos conduzindo à anomia é um “processo sem sujeito”, mas há muitos sujeitos atuando no interior dele de modo a acelerar o seu curso…)
Perdoe-me mas nada disso está acontecendo. Não há projeto nenhum de extrema direita. Há sim um processo de guerra híbrida/cismogênese que controla as duas bolhas-gado, de direito e de ‘esquerda’, simulando falsos conflitos. Todos controlados pelo atual regime Jursitocrático-fardado, agrosatélite do capital transnacional com revezamento de governo fantasia a cada 4 anos. Capturado pela guerra híbrida que opera nas suas costas ou ajudando a operá-la, assim como toda a ‘esquerda’?