
O professor Marildo Menegat é hoje,sem dúvidas, uma referência na pesquisa e estudos sobre as características que o capitalismo contemporâneo vai adquirindo nesta sua fase de colapso: que no momento aponta para uma anomia generalizada, com o substituição da civilização até então construída por um estado de barbarie.
Neste podcat organizado pela plataforma Ontocast teremos a oportunidade de ouvir suas ideias sobre esta característica do capitalismo contemporâneo, ideias estas firmemente estruturadas no pensamento do filósofo alemão Robert Kurz e nos conceitos da Crítica do Valor Dissociação.
Acessem o link e ouçam este interessante debate .
Guerra e gestão da barbárie
Para entender a guerra e o capitalismo na chave da articulação entre moeda e técnica na história.
Texto de Pedro Cláudio Cunca Bocayuva
Nesta entrevista Marido Menegat nos mostra em profundidade como a forma e a relação social de capital avança no poder destrutivo, que vai desde a sua gênese no Estado Moderno, passando pelos ciclos sistêmicos, pela colonialidade, passando pelas grandes guerras até o colapso das modernizações.Uma releitura do nexo entre transições, guerras e revoluções que passa pelos modos de organização, produção e operação bélicos, ou seja, pelos dispositivos e tecnologias com seus efeitos e nexos com o poder. O elo moeda e guerra se revela nas mutações no modo de produção e na organização do conjunto da vida social o que inclui no plano das máquinas de propaganda o destaque para as ideologias nacionalistas, essenciais para a coerção e a mobilização das populações. De Napoleão até até o fim da Primeira Guerra temos um ciclo, mas é com as duas guerras mundiais que os nexos entre complexos militares, psicologia de massas e capital fictício são levados ao paroxismo.
Os personagens, as guerras, as tecnologias e a dinâmica histórica são apresentados numa grande clareza por Marildo Menegat. A história da tributação, as formas de mobilização, as mudanças e a expansão social e espacial definem uma certa forma da lógica de uma universalização, o que permite realizarmos uma crítica da velha fórmula de Clausewitz. A política é a guerra, a política nasce da guerra. Nesta reflexão ainda podemos ver qual o nexo entre as revoluções sociais e estes processos em que a guerra tem um papel desencadeador, em que as tecnologias são atravessadas pelos códigos da destruição em função da acelercão do poder de aniquilar que acompanha o biopoder com a criação de cárceres e de campos.
Menegat apresenta um painel que vai da guerra total até a multiplicação das guerras. O percurso da forma abstrata se relaciona com as economias de guerra e com as trajetórias tecnológicas que vão do canhão até a bomba atômica, que vão do modelo alemão da guerra total até a era cibernetica. A linha de produção, a produção continua, a indústria química, os computadores, a guerra aérea, as guerras civis, nada escapa a força do rigor analítico que mostra o lugar do cálculo abstrato da forma valor como vetor de crueldade operado na intensidade e profundidade de ciclos revolução tecnológica.
O que, como observou Eric Hobsbawm, são ciclos de mudança nas formações sociais. Desde os anos sessenta vem se esgotando a luta para definir quem comanda este processo, a força da capacidade de fazer “destruições criativas” , ou em realizar fugas para adiante (ao lado do desenvolvimento desigual), a universalização disolvente do velho já não se combina como capitalismo organizado que disputava fronteiras.
A aceleração do ciclo de acumulação perdeu sua conexão material, o filão do “capital fictício” domina a cena onde o imaterial espetacularizado já implodiu seus nexos com o regime de produção material. As fronteiras são partes do regime necropolitico, já não definem um poder estabilizador de uma possível nova ordem mundial.
Ok As máquinas da guerra total e da desmedida do endividamento se ligam com a fuga para adiante. A financeirizaçào do processo de destruição da sociabilidade e do Estado, acompanham esse rompimento do nexo com a produção, pelo endividamento. A decomposição das políticas de integração social impõem a gestão pelo medo e pela morte com a especulação alimentam a necropolitica e ampliam a catástrofe pela barbárie que marca o capitaloceno. Marildo Menegat trabalha recuperando a reflexão sobre a forma capitalista desde a teoria do valor, destacando a crise da produção dos nexos da extração do mais valor, o que se combina com a revolucão nos assuntos militares. Temos aqui uma introdução ao livro que acaba de escrever e será lançado em breve intitulado “a guerra nãp tem paz”.
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