No “debate” de ontem à noite entre candidatos à Prefeitura de São Paulo, promovido pela TV Gazeta, Pablo Marçal mais uma vez escandalizou os “civilizados” à direita, ao centro e à esquerda.
Ofender aberta e constantemente posturas que o que ele chama de “sistema” considera básicas para o convívio em sociedade é um dos traços mais deliberados e marcantes de sua campanha.
Não sem razão, já que seu cálculo político não é apenas eleitoral, como o é o dos demais candidatos.
Há método nessa tática de permanente escandalização do “mundo civilizado” …
Marçal faz questão de se mostrar, o tempo todo, como a mais perfeita tradução da oposição ao “sistema”, mais do que o próprio Bolsonaro.
Segundo ele – ele faz questão de dizer isso o tempo todo! –, na atual campanha o “sistema” está representada por todos os demais candidatos, chamados, sem pejo, de “comunistas”.
Os analistas políticos dizem que, com isso, Marçal está inviabilizando eventuais alianças para o segundo turno, caso ele chegue.
Esses analistas – coitados! –, não estão entendendo o papel que Marçal traçou para si nesta campanha. Repito: o seu cálculo político não é apenas eleitoral.
O papel que Marçal traçou para si nesta campanha guarda profunda coerência com o projeto de poder da extrema-direita, e somente à luz do projeto de poder da extrema-direita as atitudes de Marçal podem ser entendidas.
A rejeição pública (e histriônica) do apoio de Joice Hasselmam ao seu nome, por exemplo, dá bem mostras disso.
Qualquer candidato do “sistema” – de Ricardo Nunes a Guilherme Boulos – jamais rejeitaria apoio de quem quer que seja.
O comportamento de Marçal visa o tempo todo desmoralizar o “sistema” – e como negar que ele é um artista nesta arte? –, porque a desmoralização do “sistema” é “conditio sine qua non” para o sucesso da implantação do projeto de poder da extrema-direita, ainda que possa não ser o melhor a fazer para ganhar eleições.
A Prefeitura da cidade de São Paulo é o de menos…
É sobre isso! – ingênuos…