O que se chama de bolsonarismo é, me parece, a cara atual da extrema-direita no Brasil.
Como expressão de uma crise profunda no sistema representativo de origem liberal, a extrema-direita é um fenômeno “universal”, que se revestiu de variadas formas ao longo da história.
Na Itália dos anos 1920, a extrema-direita tomou a forma do fascismo. Na Alemanha do mesmo período, a extrema-direita tomou a forma do nazismo. No Brasil dos anos 1930, a extrema-direita tomou a forma do integralismo.
Nos dias que correm, no Brasil e mundo afora, vemos de novo uma crise profunda no sistema representativo de origem liberal, e, não sem razão, o retorno da extrema-direita com seu projeto de poder totalitário.
Diferentemente do que aconteceu no passado, a extrema-direita atual não se reveste de formas não tão bem definidas como fascismo, nazismo, integralismo. Ela se apresenta como “trumpismo” nos EUA e como “bolsonarismo” no Brasil, mas são expressões de um fenômeno “universal”, e como tal deve ser entendido.
Paulo Passarinho diz que o “que é denominado como ‘bolsonarismo’ está amparado em dois ‘segmentos’ orgânicos: ‘igrejas evangélicas’ e ‘família militar’.”
Eu diria que falta alguém nesse “Nuremberg” aí. O que falta é exatamente o que confere ao fenômeno da extrema-direita o seu caráter “universal”, a saber: a crise profunda no sistema representativo de origem liberal.
A crise profunda no sistema representativo de origem liberal pode e deve ser compreendido como o principal “segmento” orgânico da extrema-direita no Brasil e mundo afora.
“Bolsonarismo” é apenas a “cara” atual desse fenômeno “universal”, que, por ser “universal”, pode rapidamente livrar-se dessa cara e adquirir outra. Pablo Marçal parece compreender isso muito bem…
Fascismo,Nazismo,Trumpismo,Bolsonarismo-Luiz Carlos de Oliveira e Silva
Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
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