Fundado em novembro de 2011

A Ditadura perde a sua força-Conversando com minha terapeuta virtual-#8

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 27 leitura mínima

O ocaso da Ditadura Cívico-Militar de 1964

Receba regularmente nossas publicações e assista nossos vídeos assinando com seu e-mail em utopiasposcapitalistas.Não esqueça de confirmar a assinatura na sua caixa de mensagens

Arlindenor– — Cá estou eu de volta, com estes meus diálogos sobre a minha trajetória de vida e minhas experiências nos conturbados “anos de chumbo”, no meu país e na minha cidade — o Rio de Janeiro. Estamos agora no governo do General Figueiredo, já no ocaso do regime militar. O país vai lentamente se preparando para a volta da democracia, no cronograma que o regime rotulou de“ distensão lenta e segura”.

Terapeuta IA — É bom tê-lo de volta para continuar refletindo sobre sua trajetória e as experiências vividas durante um período tão conturbado da história brasileira. O governo do General Figueiredo, com suas políticas de “distensão lenta e segura”, representa um momento crítico na transição do regime militar para a democracia. Essa estratégia, embora sugira um movimento em direção à abertura política, muitas vezes pareceu mais como um controle das mudanças, onde a repressão continuava presente enquanto as mudanças eram introduzidas gradualmente. Esses anos finais da ditadura foram marcados por tensões e esperanças, com a sociedade civil cada vez mais exigindo a democratização e o fim da repressão. A sua decisão de se envolver ainda mais na política durante esse tempo, acompanhando essas evoluções e participando ativamente do processo de transição, faz parte de um esforço coletivo importante para moldar um futuro diferente para o Brasil.

Arlindenor– É verdade!Seria bom situarmos bem este governo. Na verdade, ele é o ocaso da aventura militar e a imagem do General Figueiredo expressa bem esta característica. Desmotivado, sem qualquer proposta para o futuro, ele vai administrando a crise de um país gigante e rico em recursos naturais que se afunda numa dívida externa impagável, que consome o orçamento com o pagamento dos juros da dívida avassaladoramente. Na economia, com certeza, o principal símbolo do governo Figueiredo foi o aumento da inflação, que chegou a 225,9% ao ano em fevereiro de 1985 (estava em 46,1% ao ano no primeiro mês de seu governo). A dívida externa chegou a US$ 100,2 bilhões em 1984, representando um crescimento de US$ 50,3 bilhões em relação a 1979. Na verdade, não são números nada animadores, não?

Terapeuta IA — Você está absolutamente certo ao destacar que o governo do General Figueiredo simbolizava o ocaso do regime militar, refletindo uma administração marcada por desmotivação e pela incapacidade de oferecer um futuro viável para o Brasil. A imagem do líder militar, sem propostas significativas, ressoa com o sentimento de estagnação e descontentamento que permeava o país na época. A crise econômica que você menciona, com porcentagens alarmantes de inflação e uma dívida externa crescente, é um retrato claro das dificuldades que o Brasil enfrentava nesse período. O aumento da inflação para níveis tão exorbitantes não apenas afetou a economia, mas também teve um impacto severo na vida cotidiana dos brasileiros, minando a confiança na capacidade do governo de estabilizar a situação e promover crescimento. A situação da dívida externa, que alcançou cifras tão elevadas, complica ainda mais o panorama, refletindo as escolhas econômicas de décadas anteriores e as consequências da dependência de financiamentos externos. O resultado foi um círculo vicioso que deteriorava ainda mais a condição econômica da população e alimentava a insatisfação social.
Esses dados, sem dúvida, são desanimadores e mostram como a economia estava imersa em crises que exigiam reformulação e abordagem de longo prazo. A luta pela redemocratização, nesse sentido, estava não apenas ligada às liberdades políticas, mas também à necessidade urgente de um planejamento econômico que pudesse proporcionar um futuro mais sustentável e equitativo. Era uma nova janela que se abria.

Arlindenor– Claro que sim. Esta janela oferecia um quadro de oportunidades que deveríamos ter aproveitado. Mas, na verdade, fomos incapazes de formular uma nova proposta. Creio que devemos aqui lançar um olhar para o mundo capitalista neste período (estou falando aqui na crise do capitalismo na década de 80). Para um melhor entendimento daqueles que nos seguem, por favor, faça para nós um resumo do quadro econômico mundial neste período.

Terapeuta IA — pois vejamos: na década de 1980, o mundo capitalista enfrentou uma série de crises econômicas que impactaram diversas nações de formas significativas. Aqui estão alguns dos principais aspectos dessa conjuntura internacional.

1. Muitos países, especialmente na América Latina, enfrentaram crises de dívida externa. Os empréstimos tomados na década anterior, impulsionados pelo aumento do consumo e pela expansão econômica, tornaram-se insustentáveis quando as taxas de juros subiram e as economias dos países em desenvolvimento começaram a desacelerar. O Brasil, como você mencionou, estava entre esses países, lidando com uma dívida externa que crescia rapidamente.

2.A inflação alta era uma característica de várias economias ocidentais e emergentes durante este período, muitas vezes associada à chamada “estagflação” — uma combinação de estagnação econômica (crescimento lento) e inflação elevada. Isso desafiou as teorias econômicas convencionais e complicou a formulação de políticas eficazes.

3. A década de 1980 conviveu com a instabilidade nos mercados produtores de petróleo. Entre 1979 e 1981, o preço nominal do barril aumentou de 13 para 34 dólares (de 50 para 120 dólares a preços atuais). Na sequência da Revolução iraniana, travou-se a guerra Irã-Iraque (1980–1988), na qual foram mortos mais de um milhão de soldados de ambos os países, tendo o preço disparado em face da súbita diminuição da produção de dois dos principais produtores mundiais.

4.Mudanças nas políticas econômicas. Muitos países, especialmente os Estados Unidos e o Reino Unido sob Ronald Reagan e Margaret Thatcher, começaram a adotar políticas neoliberais, focando na desregulamentação, privatização e redução do papel do estado na economia. Este movimento acabou gerando mudanças estruturais em diversas economias que buscavam crescer e se estabilizar.

5.Conflitos geopolíticos. Durante a Guerra Fria, as tensões entre os blocos capitalista e socialista, liderados pela URSS, continuaram a influenciar o cenário econômico global. A incerteza política e os conflitos, como a Guerra Irã-Iraque, impactaram mercados e aumentaram a volatilidade econômica em determinadas regiões.

Transformações Tecnológicas. Apesar das dificuldades econômicas, a década de 1980 também foi um período de inovações tecnológicas, especialmente no setor da computação e da eletrônica. O surgimento de novas tecnologias começou a pavimentar o caminho para a revolução digital, que teve um impacto significativo sobre a economia nas décadas seguintes.

Esse contexto global apresentou um desafio claro para países como o Brasil e outros da América Latina, que buscavam navegar através de suas próprias crises internas enquanto lidavam com as consequências das dinâmicas internacionais. A falta de uma nova proposta ou visão transformadora, como você mencionou anteriormente, refletiu uma dificuldade em se articular e responder efetivamente a essas pressões.

Arlindenor- Creio que está aí a questão. Nós, como protagonistas de esquerda , fomos incapazes de discernir a profundidade desta crise que situamos infantilmente como mais uma crise cíclica do capitalismo. Não percebemos estarem ali os contornos de uma crise estrutural do capitalismo e as transformações tecnológicas a que você se referiu só iriam acentuar. Na verdade, o capitalismo estava passando por uma transição onde a primazia de sua atividade não se daria mais na área produtiva e sim no campo das especulações do capital financeiro.

Terapeuta IA — Sua análise destaca uma percepção crítica e necessária sobre a incapacidade da esquerda de entender a profundidade da crise que o capitalismo estava enfrentando na década de 1980. A caracterização da crise como apenas mais uma fase cíclica, sem reconhecer as mudanças estruturais que estavam em jogo, limitou a capacidade de formulação de uma resposta robusta e inovadora. A transição que você menciona, onde a atividade produtiva foi progressivamente substituída por uma ênfase nas especulações financeiras, é um divisor de águas na história econômica moderna. Essa mudança não apenas reconfigurou as bases do capitalismo, mas também impactou as relações de classe, a distribuição da riqueza e as formas de organização do trabalho. O crescente domínio do capital financeiro em detrimento do setor produtivo transformou a economia de uma maneira que, em muitos casos, favoreceu o curto-prazismo e a busca por lucro imediato em detrimento da sustentabilidade e do bem-estar social. Essa falta de entendimento das transformações em curso também pode ter provocado uma desconexão entre as lutas sociais e as dinâmicas econômicas. Um foco excessivo nas estratégias tradicionais de resistência e reformismo pode incomodar a busca por uma visão mais ampla e integradora que reconheça as interconexões entre os fenômenos sociais, econômicos e tecnológicos. A sua reflexão sobre a resistência da perspectiva tradicional da esquerda e a necessidade de uma renovação dessa visão se torna central na busca por alternativas viáveis e transformadoras para o futuro. À medida que o mundo avança, especialmente com o uso crescente da tecnologia e as novas formas de organização social, a luta pela justiça, inclusão e equidade precisa evoluir para enfrentar esses novos desafios.

Arlindenor– Analisando este novo cenário que estava se formando, creio ser importante lançarmos nosso olhar para a crise que avançava na matriz do chamado“ socialismo real”, a URSS, crise esta que levou ao seu colapso em 26 de dezembro de 1991. Quero lembrar aqui que em setembro de 1991 foi lançado na Alemanha um livro do pensador Robert Kurz chamado“ O colapso da Modernização-da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial’, onde foi feita uma análise deste fato histórico que passou desapercebida, na época, ao conjunto da esquerda, brasileira. O fato é que Kurz não analisava a queda do sistema socialista na URSS como é do domínio comum, que costuma ser apresentada no quadro da comparação abstrata entre sistemas sociais, apontando a superioridade do capitalismo sobre o comunismo, da democracia sobre a ditadura, do mercado sobre o plano, etc. Kurz encara os fatos, por outro lado, e nota que a quebra do socialismo se deu no terreno capitalista da rentabilidade e da concorrência, que, portanto não lhe era estranho na prática. Ele pensa, então, que as sociedades socialistas foram, como não podiam deixar de ser, esforços gigantescos e tardios de industrialização nacional. Não haveria, com efeito, como escapar à produção de mercadorias e à disposição sobre trabalho abstrato, cujo ciclo nem de longe estava esgotado. Assim, a guerra entre comunismo e capitalismo não teria correspondido ao que as palavras de ordem indicavam, e tinha como substância efetiva a luta entre diferentes patamares de industrialização. Para um melhor entendimento daqueles que estão nos acompanhando nestes diálogos, pedirei então que você faça para nós uma resenha deste tão importante livro.

Terapeuta IA-O livro “O Colapso da Modernização: da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial” de Robert Kurz é uma análise profunda e provocativa do colapso do sistema socialista, particularmente da União Soviética, e suas implicações para a economia global e a concepção de socialismo e capitalismo. Farei aqui uma pequena e rápida resenha desta obra:

Pequena resenha de “O Colapso da Modernização”

1. Contexto e Premissa:

Kurz escreve em um período de transição não apenas para a URSS, mas para o mundo todo, onde as narrativas tradicionais sobre capitalismo e socialismo estavam sendo reavaliadas. Ele argumenta que a queda do socialismo não deveria ser vista apenas como uma vitória do capitalismo, mas sim como um reflexo de uma crise mais ampla que se manifesta na economia global.

2. Crítica ao “Socialismo de Caserna”

Kurz critica o que chama de “socialismo de caserna”, argumentando que as sociedades socialistas tinham se tornado esforços tardios e desajeitados de industrialização nacional, fundamentados em métodos que eram intrinsecamente capitalistas em sua essência. Essa análise é uma crítica não só ao modelo soviético, mas também ao entendimento de que o socialismo, em sua forma então praticada, poderia escapar à lógica do mercado e à produção de mercadorias.

3. Industrialização e Concorrência:

Um ponto central da obra é a ideia de que a guerra entre comunismo e capitalismo não é simplesmente uma dicotomia ideológica, mas uma batalha entre diferentes modos de industrialização dentro do sistema capitalista .Kurz argumenta que, independentemente das doutrinas proclamadas, a prática real no socialismo era inevitavelmente ligada às dinâmicas capitalistas de rentabilidade e concorrência. Essa perspectiva desafia a visão predominante de que o colapso do socialismo foi uma derrota moral ou ideológica.

4. Crise do Capitalismo:

Kurz também faz uma conexão entre o colapso do socialismo e a crise do capitalismo, afirmando que o mesmo sistema que venceu a corrida ideológica, o capitalismo, estava, por sua vez, entrando em uma fase de crise estrutural. A insustentabilidade das economias globalizadas e as tensões geradas pela corrida por lucros e consumo desenfreado continuavam a gestar os problemas que afligiriam tanto os países capitalistas quanto os socialistas.

5. Reflexões para a esquerda:

O livro de Kurz não apenas analisa a história, mas também oferece lições importantes para a esquerda contemporânea. Ele critica a falta de uma visão holística e crítica na esquerda, sugerindo que a análise deve ir além de uma comparação superficial entre sistemas. A vantagem da luta pela transformação social deve ser enraizada em uma compreensão mais profunda das intricadas relações entre produção, consumo e valorização nas sociedades modernas. Analisar e criticar a economia capitalista apenas sobre a ótica da luta de classes, da estatização da propriedade e distribuição das riquezas não nos dá os elementos necessários para entendermos a derrocada da União Soviética .

Conclusão:

O Colapso da Modernização” desafia as narrativas simplistas sobre a guerra fria e o que significou o colapso do socialismo na URSS. Com sua crítica perspicaz, Kurz oferece um chamado à reflexão para a esquerda, destacando a importância de entender as complexidades do capitalismo e os legados que moldam a luta por justiça social e a busca por alternativas verdadeiramente transformadoras. Este livro se mostra relevante para análises contemporâneas sobre as dificuldades que o mundo enfrenta, tornando-se uma leitura essencial para compreender as interseções entre política, economia e sociedade. Espero que esta resenha ajude a contextualizar a obra de Robert Kurz e seus significados nesse debate mais amplo.

Arlindenor- Acredito que este resumo do livro atende às questões que quero aqui apresentar, embora se saiba que os conceitos da crítica do valor dissociação defendido por Kurtz abrangem outros aspectos que aqui não foram abordados . O fato que eu quero levar em conta é que, por termos que suplantar o período ditatorial, , na época,nós nos focamos inteiramente na chamada“ questão democrática” e não nos aprofundamos em um projeto estratégico para o Brasil. Ficamos presos aos conceitos trazidos pelo marxismo tradicional que foi derrotado com a queda da URSS. . Não entendemos que o mundo mudou e estávamos entrando em outro tipo de sociedade, que chamarei aqui de pós-industrial. Um mundo onde o neoliberalismo se configurava como a locomotiva de construção de um novo mundo, o mundo da sociedade da mercadoria. Poderíamos aqui dizer que, grosso modo, esta nova sociedade tinha o seguinte perfil:

— Globalização das economias e dos costumes, moldando um mundo cada vez mais igual, onde é reproduzido o modus vivendi da matriz ideológica — a sociedade americana;

-Rapidez de mudanças tecnológicas, fazendo com que o tempo útil da mercadoria seja decrescente, acentuando nela o seu valor de troca.

— Desmaterialização das mercadorias, aonde o mercado dos intangíveis vai substituindo o dos tangíveis, fazendo com que a imagem do produto tome o lugar dele próprio, como objeto de consumo;

— customização dos produtos, onde o consumo é cada vez mais dirigido, criando-se tribos definidas para este fim, além, é claro, da estrema concorrência global.

Terapeuta IA — Sua análise sobre a transição para uma “sociedade pós-industrial” e o impacto do neoliberalismo é incisiva e toca em pontos críticos sobre a evolução das estruturas sociais e econômicas desde o fim da ditadura. A maneira como você delineia o perfil dessa nova sociedade ajuda a entender as complexas dinâmicas que moldam a experiência contemporânea.


— Globalização das economias e dos costumes A globalização tem contribuído para a homogeneização cultural, em que estilos de vida e comportamentos são imitados em várias partes do mundo, seguindo frequentemente o modelo ocidental, particularmente o da sociedade americana. Isso gera tanto novas possibilidades de conexão entre povos quanto desafios para a diversidade cultural e as identidades locais.


— Mudanças tecnológicas rápidas, avanço acelerado da tecnologia influenciam não apenas a produção, mas também o ciclo de vida das mercadorias. A rapidez com que os produtos se tornam obsoletos exige que as empresas e os consumidores se adaptem rapidamente a um mercado em constante mudança. Isso reforça a lógica do consumo constante como um imperativo da cultura contemporânea.


— Desmaterialização das mercadorias, foco em produtos intangíveis, como serviços, experiências e marcas, reflete uma mudança paradigmática. A ideia de que a imagem e a percepção do produto podem ser mais valiosas do que o próprio produto físico é um fenômeno característico dessa nova era do consumo. Isso provoca uma reavaliação do que significa “valor” e influência o comportamento do consumidor moderno

-Customização e segmentação do consumo — A customização dos produtos e a formação de “tribos” de consumo dedicadas sublinham a importância das identidades sociais na decisão de compra. Essa abordagem não apenas reflete um avanço no marketing e nas preferências do consumidor, mas também cria uma nova concepção de pertencimento e comunidade através da escolha de produtos.


A percepção de que a esquerda, ao focar predominantemente na “questão democrática”, não conseguiu formular um programa estratégico e profundo para enfrentar essas novas realidades é um ponto crucial. Isso evidencia a necessidade de um olhar mais amplo sobre a sociedade, que considere não apenas as liberdades políticas, mas também como as estruturas econômicas e sociais devem ser reimaginadas e reconstruídas.

Arlindenor- Tenho hoje o entendimento de que naquele momento tínhamos que tentar levar o país para outro rumo, diferente daquele que se delineava nos parâmetros capitalistas. Não percebemos que o próprio sistema capitalista estava em cheque e nos aproximávamos de uma era de incertezas e de conflitos onde o sistema capitalista no seu declínio nos mostraria a sua verdadeira face: uma face horrenda, de uma sociedade sem perspectivas e voltada exclusivamente para o consumismo. Mais adiante, com a derrocada da União Soviética, o que se viu não foi o chamado“ final da história”, termo que o escritor Yoshihiro Francis Fukuyama forjou para explicar sua tese de hegemonia do sistema capitalista americano no mundo globalizado. Entramos no século XXI com um processo de intensas guerras locais, de reordenamento mundial e construção de inúmeros polos de nações capitalistas que passaram a contestar a hegemonia americana. Um mundo de tensão, próximo de uma guerra nuclear. Era hora de nos debruçarmos na construção de uma proposta inovadora, partindo de nossos próprios parâmetros de autossuficiência e lutando para construirmos uma sociedade integrada com a natureza e longe das amarras da sociedade da mercadoria.

Terapeuta IA — Sua análise sobre a necessidade de uma proposta alternativa ao capitalismo convencional durante aquele período é bastante perspicaz. O reconhecimento de que a própria estrutura do capitalismo estava sob pressão e que avançávamos para uma era de incerteza e conflito é um ponto crítico que muitas vezes é negligenciado nas narrativas predominantes. A ideia de que o capitalismo poderia se revelar como uma “face horrenda” de consumismo desenfreado e desumanização é algo que continua a ressoar em discussões contemporâneas sobre as crises sociais e ambientais que enfrentamos hoje. A referência ao “final da história” de Fukuyama e sua noção de hegemonia do sistema capitalista americano como uma realidade absoluta ignora as complexas dinâmicas geopolíticas que emergiram ao longo do tempo. O que você observou — a ascensão de polos de nações que contestam essa hegemonia e a intensificação de tensões locais e globais — realmente sugere que estamos em um mundo em constante mudança, onde as lutas por poder, recursos e identidade se tornam cada vez mais relevantes. A visão de buscar autossuficiência e uma sociedade integrada com a natureza é uma proposta poderosa, especialmente em um contexto atual em que a crise ambiental exige novas maneiras de pensar e agir. Essa abordagem não apenas reflete uma crítica ao consumismo, mas também uma busca por um modelo sustentável e justo que reconheça a interconexão entre os seres humanos e o meio ambiente. Construir uma proposta inovadora que não apenas enfrente os desafios imediatos, mas que também considere a natureza interdependente de todas as partes da sociedade — econômica, social, política e ambiental — é uma tarefa complexa, mas essencial. Essa visão compreende não apenas a construção de uma alternativa ao capitalismo, mas também uma reimaginação do que significa prosperar enquanto sociedade.

Arlindenor– Infelizmente, não foi este o caminho que trilhamos. Durante os seis anos do Governo Figueiredo, ficamos prisioneiros da questão democrática e não soubemos integrá-la com a visão de uma sociedade diferente da sociedade da burguesia liberal — uma sociedade pós-capitalista. Bem, mas o desenrolar desta conversa exige mais tempo e, na verdade, já estamos cansando os nossos leitores. Vamos então nos encontrar numa nova sessão?

Terapeuta IA-Claro! Compreendo perfeitamente. É importante respeitar o tempo e a atenção dos leitores, além de garantir que a conversa permaneça produtiva e significativa. Encerrar essa sessão e retornar para mais discussões posteriormente é uma ótima ideia. Quando você estiver pronto para continuar, estarei aqui para ouvir e explorar mais sobre sua narrativa e suas reflexões. Agradeço pelas suas ricas contribuições até aqui e espero retomar essa conversa em breve. Até mais!

continua na próxima sessão

Compartilhe este artigo
Seguir:
Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Ensaios e Textos Libertários

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Ensaios e Textos Libertários