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O truque de Charlie Kirk-Luiz Carlos de Oliveira e Silva

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 7 leitura mínima

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Olá, eu sou Luiz Carlos de Oliveira e Silva e neste vídeo gravado no dia 17 de setembro de 2025 eu vou falar de Charlie Kirk, mais especificamente do truque do qual ele se valeu para adquirir fama e poder de influência política nos EUA.
Kirk, esse ativista de extrema-direita estadunidense, falsamente apresentado como “conservador”, como veremos, seu nome ficou mundialmente famoso a partir do seu assassinato, em um campus universitário do estado de Utah, quando lançava mão mais uma do seu reiterado truque, do truque que ele criou para si, para a sua atuação política.
As razões do assassinato ainda não estão esclarecidas, o que não vem impedindo a sua explorado à larga pela extrema-direita dos EUA, daqui do Brasil e do mundo afora.
Mas não é disso – da instrumentalização da morte de Kirk – que vou tratar aqui.
Quero tratar aqui exatamente disso, do truque, desse verdadeiro “ovo de Colombo” que permitiu a Charlie Kirk adquirir fama e poder de influência política.
Esse truque tinha: dois pressupostos, uma tática e uma estratégia.
A estratégia era conquistar a juventude estadunidense para o ideário da extrema-direita e, em particular, para o apoio a Donald Trump.
Essa era a estratégia… Quanto aos dois pressupostos, vamos lá…
O primeiro pressuposto vem da constatação de que o ideário progressista era assimilado de maneira muito superficial e acrítica pelos jovens desse espectro da opinião pública estadunidense; assimilação essa – superficial e acrítica – que faz com que os jovens progressistas não sejam capazes de expressar suas opiniões a não ser apelando para chavões tão rasos quanto esquemáticos, o que os tornam presas fáceis num debate onde sejam confrontados por adversários treinados, capazes de lhes exigir mais do que chavões rasos e esquemáticos.
Essa constatação é o primeiro pressuposto do truque de que se valeu Charlie Kirk.
O segundo pressuposto vem dos treinamentos sofísticos e diz que para cada afirmação pode haver uma outra, contrária a essa, de aparência igualmente razoável.
O resultado disso é o seguinte: qualquer absurdo pode ser apresentado numa forma de aparência “lógica”, digamos assim, numa narrativa, digamos assim, com princípio, meio e fim.
O treinamento, então, esse treinamento sofístico, consiste nisso: diante de uma afirmação mesmo que razoável, racional, ou mesmo óbvia, produzir uma afirmação contrária, com aparência racional ou com um fundo de legitimação qualquer.
Esse é o treinamento sofístico por excelência, que faz a fortuna de muito advogado, jornalista, publicitário, e Kirk se mostrou muito bem exercitado nesse treinamento.
A partir desses dois pressupostos, tendo em vista alçar o seu objetivo estratégico – que é trazer a juventude para a extrema-direita –, Kirk definiu a sua tática, que se mostrou muito eficaz, diga-se.
A tática, como sabemos agora, era a seguinte: desafiar estudantes progressistas para um “debate”, no terreno aparentemente favorável aos estudantes progressistas, que são os campi universitários, com a provocação: “Prove que estou errado”.
Nesses supostos “debates”, Kirk desfiava o seu rosário ultra-reacionário de sempre, procurando dar a cada tese reacionária exposta por ele uma aparência de racionalidade cuja legitimidade, em última instância, remetia não às leis, digamos, dos homens, mas à Bíblia, a referência única dos “homens de bem”.
Ele se sentia à vontade de desafiar seus adversários, de modo assim tão aberto e provocador, num terreno aparentemente desfavorável, porque estava seguro de que os seus oponentes, despreparados para enfrentamentos públicos daquele tipo, iriam se limitar a repetir chavões que Kirk já conhecia de cor, o que fazia de seus oponentes presas fáceis para caírem na armadilha do seu truque.
Assim, Kirk podia se apresentar com um conservador, firme em suas convicções, mas amigo do debate… Amigo do debate…
Temos aqui o truque, um truque muito bem articulado, diga-se, já que a violência, limitada “apenas” ao conteúdo das suas teses, ficaria por conta da “liberdade de expressão”. Eis o truque!
Tudo nisso tudo, não passa de truque, a começar pela etiqueta de “conservador”…
Charlie Kirk não é “conservador” coisa nenhuma, ele é reacionário na pior medida que um reacionário pode ser. Para compreender isso que eu estou dizendo, é preciso fazer a distinção entre extrema-direita e direita.
A direita tem duas vertentes, a tradicional, essa sim, conservadora, e a direita moderna, em geral, progressista quanto às questões de comportamento.
Vejamos entre nós: um representante típico da direita tradicional, conservadora, é o atual vice-presidente, Geraldo Alkmin. Alkmin é, esse sim, um conservador de direita, não Charlie Kirk, que não passa de um reacionário de extrema-direita da pior espécie.
Faz parte do truque da extrema-direita apresentar tipos da direita conservadora, como Alkmin, e tipos da direita moderna, como, por exemplo, Miriam Leitão e Merval Pereira, como se todos esses fossem esquerdistas…
Isso faz parte do truque, confundir, jogar todos os adversários – todos aqueles que não são reacionários de extrema-direita – numa mesma e única vala comum, e se fazer passar pelo o que eles não são: conservadores, adeptos da “liberdade de expressão”, da democracia.
Truques…
Por enquanto, é isso… Um abraço e até a próxima.”

Luiz Carlos de Oliveira e Silva,é filósofo, carioca da Vila da Penha ,morador do centro do Rio de Janeiro e botafoguense escrachado.

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
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