Silvio Ribeiro de Castro/Bruno Tavares
Quando o amor acaba
(Excerto)
Numa tarde cinzenta,
num quarto de hotel,
debaixo dos lençóis,
junto aos travesseiros,
de repente,
o amor acaba.
Num avião, em pleno céu,
na solidão de um barco à
vela,
olhando a lua, na janela,
num sombrio porão,
no meio da rua,
simplesmente acaba.
Num bordel de luxo,
o mais caro,
ou num cabaré de beira
de cais,
não é raro
que exista amor e acabe
da mesma forma
que num convento.
Como uma nuvem que
se esgarça.
É apenas vento
e passa.
..……………………………………
O amor acaba para renascer
ao menor alento,
ao mais leve sopro
de um breve vento.
Com artimanhas de sedutor.
Tão delicado que recende
à flor.
Tão disfarçado que nem
parece amor.
Tão terno que se jura eterno.
Mas não se iluda,
um dia, acaba.
Você diz que eu sou triste
Você diz que eu sou triste
Mas será que existe
Um amor tão grande
Que não seja assim
É como o pôr do sol
Veja que beleza
Mas que traz a tristeza
Do dia que chegou ao fim
É a vida que corre
Sol que se afoga no mar
Como a tarde que morre
O amor pode se acabar

Bruno Tavares ė compositor e pesquisador da mpb.Ė produtor de conteúdos para o canal no YouTube: @historiassubterraneas

Cynthia Dorneles- escritora, compositora, cantora, psicóloga, socióloga. Nascida no Rio.

Mariana Valle tem 51 anos, é poeta, escritora, jornalista, professora de português para estrangeiros, compositora e editora literária independente.

Silvio Ribeiro de Castro é declamador,poeta, compositor e gosta de ser conhecido como um “ contador de histórias” . Publica regularmente para este blogue na sua coluna, na nossa Home.