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Este texto do filósofo Luiz Carlos de Oliveira e Silva analisa a crise moral e política contemporânea a partir da noção de “liquidez”, articulando Nietzsche e Bauman para interpretar o relativismo ético atual. O autor denuncia a seletividade moral, tanto da extrema-direita quanto do campo da esquerda , que relativizam desvios próprios enquanto condenam os alheios. Essa dissolução de referências éticas é vista para ele como prenúncio de anomia e falência institucional no Brasil. Diante desse quadro, argumenta então que apenas a extrema-direita apresenta hoje um projeto de poder coerente, ainda que totalitário .Um texto de alerta e reflexão nestes dias de crise e falta perspectivas.

Zygmunt Bauman, o célebre “paper recycler” falecido na década passada, fez fortuna filosófica ao “traduzir”, oportunamente, o conceito de niilismo, tal como caracterizado por Nietzsche, no seu conceito de “líquido”.
Fato é que o conceito de “líquido” de Bauman, não sem razão, como se diz, pegou…
Não sem razão porque o conceito de “líquido” serve para descrever, com simplicidade e objetividade, na pós-Modernidade, o que Nietzsche genialmente intuiu, no final do século XIX, que seriam características decisivas dos tempos vindouros.
A “morte de Deus” (Nietzsche) tornaria tudo “líquido” (Bauman”), e o “líquido” é – como negar? – uma das características mais importantes do nosso tempo.
Quando vemos, por exemplo, reações passa-pano vindas (1) da extrema-direita em favor da versão surrealista de Sóstenes Cavalcante para os milhões de reais que mantinha em casa, extrema-direita essa tão moralmente inflexiva quanto ao maus-feitos dos outros, e (2) do campo progressista em favor das ações de lobby de Alexandre de Moraes junto ao Banco Central e de sua esposa em defesa do banqueiro de Esquema Ponzi, campo progressista esse tão moralmente inflexivo quanto ao maus-feitos dos outros, como não reconhecer a validade hermenêutica do conceito “líquido” de Bauman?
Pelo jeito, a moral de Sóstenes (e de seus passadores-de-pano) é tão “líquida” quanto a de Alexandre (e de seus passadores-de-pano).
Pois é, tudo que parecia sólido desmancha-se no ar; todos os ídolos, com seus pés de barro, vivem agora o seu crepúsculo final… E isso tudo com uma velocidade crescente!
Aonde está nos levando essa “liquidificação” crescente de tudo? Resposta: no campo da política, estou convencido, à anomia, isto é, à falência múltipla dos órgãos da República.
A única força política no atual cenário político brasileiro que tem condições de apresentar uma resposta global para uma situação de anomia é a extrema-direita, porque ela é a única força política com projeto de poder, e com vontade política de implantá-lo.
Todas as demais forças políticas são partes constitutivas do “sistema”, e empenham-se em defendê-lo a todo custo. Com isso, essas forças tendem a se afogar abraçadas no naufrágio, que parece inevitável, da atual configuração do poder burguês entre nós.
Ou o campo progressista constitui urgentemente uma força política – nacional, popular e democrática – capaz de disputar o poder com a extrema-direita na situação de an0mia, ou veremos, inertes e bestializados, a implantação no Brasil, em meio a um terrível banho de sangue, de um Estado Totalitário, antinacional, antipopular e antidemocrático até a medula.
Luiz Carlos de Oliveira e Silva

Luiz Carlos de Oliveira e Silva,é filósofo, carioca da Vila da Penha ,morador do centro do Rio de Janeiro e botafoguense escrachado.
Po, Arlindenor, me vir com um cara, que escreve para justificar a extrema direita!
Ninguém é perfeito!
Perfeitos, como sabemos, estão nos hospícios!
Mas, querer comparar os defeitos da esquerda, com as barbáries da extrema direita!
Me poupe!!!
Quando a extrema direita, reconheceu e, melhor ainda, teve a coragem de abandonar a barbárie?
Prefiro ficar com a banalização da injustiça social, proposta da filósofa Hanna Arendt, e retomada pelo sociológico Christophe Desjours!
A extrema direita, não pode reconhecer e aceitar certas atrocidades, pelas desumanidade que elas contém, e a partir disso, principalmente, porque paradoxalmente, quem as perpetrou permanece humano!!
E aí vem a razão, de não poderem a abandonar seus atos…
Porque, se se conscientizarem disso, só tem uma saída…
Um tiro na cabeça!
Como fizeram muitos guardas da SS nazista, quando os exércitos aliados chegavam a tais campos.
Apegue-se a Hannna Arendt, que vais ver o absurdo em que cais-te!
Boas Festas, caro Arlindenor!!
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