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A degeneração ostensiva do capital-Dalton Rosado

arlindenor pedro
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Neste ensaio para o nosso blogue Dalton Rosado traça um diagnóstico implacável da trajetória histórica do capitalismo, evidenciando seu vínculo estrutural com a violência, a guerra, o genocídio e a degradação social. Ao articular episódios históricos, processos econômicos e fenômenos políticos contemporâneos, o autor desnuda a farsa da democracia burguesa e a naturalização da barbárie como traço constitutivo da sociabilidade capitalista. A “degeneração ostensiva do capital” aparece, assim, não como desvio moral, mas como resultado necessário de um modo de produção em crise. O texto é, ao mesmo tempo, denúncia e apelo crítico à superação radical da forma social fundada no valor, no dinheiro e na mercadoria.

A degeneração ostensiva do capital-um ensaio de Dalton Rosado

Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial

Caetano Veloso

O capitalismo, desde a revolução francesa que deu formas jurídico-constitucionais ao mercantilismo nascente substituindo politicamente o absolutismo fisiocrata monárquico, tem se caracterizado pela beligerância genocida. 

​Em nenhuma quadra da história se matou tantos seres humanos quanto nos últimos duzentos anos da república capitalista. Mal tinha sido derrubada a monarquia da Casa Real da Dinastia Bourbon no final do século XVIII com a Revolução Francesa eis que surge Napoleão Bonaparte no início do século XIX com as chamadas campanhas militares de conquistas (1804 a 1815) marcadas por invasões militares em nome de uma nova ordem antimonarquista que se pretendia iluminista.

​O século XIX foi marcado por ebulições próprias ao desenvolvimento do mercantilismo da revolução industrial inglesa e surgimento da energia a vapor que transformava energia térmica em energia mecânica impulsionando máquinas, o transporte ferroviário, equipamentos industriais e gerando eletricidade. 

A queima do carvão ou da lenha que aquecia a água gerando vapor que acionava o pistão num movimento mecânico contínuo representou o embrião e despertar de uma revolução tecnológica que viria a seguir e com ela o desejo de hegemonia econômica e política tanto no continente europeu como na América estadunidense com a segunda revolução industrial fordista do início do século XX, das grandes guerras mundiais nas quais morreram cerca de 3% de toda a população mundial. 

Como se vê, a trajetória de implantação do capitalismo mercantilista que moldou uma forma política que lhe é imanente tem um rastro de sangue. O capital é assassino e a democracia burguesa uma farsa representativa que ora demonstra toda a sua incongruência política pari passu à derrocada dos seus fundamentos econômicos decadentes. 

Como se admitir que o povo dos Estados Unidos eleja um Donald Trump, notório golpista político patrono dos atentados ao Capitólio em 06 dejaneiro de 2021 contra a eleição e posse de Joe Biden no qual morreram manifestantes e militares, além de ser um criminoso condenado por crimes sexuais e de sonegação, senão pela manipulação da vontade eleitoral por mecanismos estranhos à legítima e livre manifestação da vontade popular???

O resultado da influência do poder econômicona eleição de políticos de direita revela que na democracia burguesa os eleitores estão presos a um processo suicida de manipulação da vontade e convergem para o abatedouro tal como gado no corredor de abate, inconscientes e sem alternativas; escolhem dentre o que já foi previamente escolhido pelo capital.

Agora o Chile e a Bolívia acabam de eleger governantes de direita que se somam a um Javier Milei da Argentina formando um cinturão conservador no cone Sul das Américas numa demonstração clara de um movimento pendular eleitoral entre direita e esquerda fruto da insatisfação popular que não se apercebe de que ambos os projetos representam apenas variações políticas que atuam sob uma mesma base de exploração social: o capitalismo.

A inconsciência social popular sobre si mesma atua como se se considerasse coletivamente que o capitalismo e suas relações de exploração e ordem política fosse algo tão natural e indiscutível como a necessidade se beber água e se comer alimentos diariamente. 

A inconsciência coletiva corresponde a um torpor ensandecido, senão vejamos: 

– Elege-se Jair Bolsonaro, o terrorista planejador do atendado à represa do Guandu, no Rio de Janeiro, causa de seu afastamento do Exército quando ainda era tenente e declarado defensor de torturadores e assassinos como o Coronel Brilhante Ustra e apologista do arbítrio político de exceção;

– Elege-se tipos como Donald Trump, um genocida que quer receber o título Nobel da Paz Mundial, apesar de matar pessoas em barcos indefesos atingidos por poderosas bombas em nome de uma presunção não comprovada de que se trata de narcotraficantes;

– Mantém-se na Presidência o delinquente dos Estados Unidos que não apenas nega o aquecimento global causado pelo consumo de combustíveis fósseis que tem os Estados Unidos (e a China) como maiores emissores do gás carbônico na atmosfera pelo seu uso, como quer tomar na marra o petróleo venezuelano, fonte de riqueza daquele país numa ordem capitalista que não consegue equacionar o problema do ecocídio causado pela produção, consumo e venda dessa fonte energética predadora da vida;

– Aceita-se que um país invada o outro por terra e lance bombas contra civis inocentes como faz o ex-agente da KGB, Vladimir Putin na agressão assassina da população civil da Ucrânia;

– Aceita-se o genocídio em Gaza de mulheres, idosos e crianças praticado pelo governo sionista de Israel como se fosse admissível tal prática e o mundo fosse impotente para detê-la;

– Gasta-se mais dinheiro em armamentos do que no combate à fome que aumenta, apesar do desenvolvimento científico das técnicas agrárias;

– Aceita-se o pagamento extorsivo dos juros da dívida pública em detrimento do provimento de demandas sociais básicas como saúde, educação, alimentação, habitação e infraestrutura sanitária, transporte, abastecimento der água e energia, e outras necessidades como lazer e cultura;

– Aceita-se que se dê cerca de R$ 5 bilhões para o financiamento de partidos políticos em suas campanhas eleitorais e se esquecem da permanente influência do poder econômico do processo eleitoral;

– Naturalizam-se e existência de máfias do crime organizado em permanente competição como   o crime do colarinho branco numa disputa que enoja o cidadão comum explorado, ambos infiltrados no aparelho de estado parlamentar, esferas executivas e no judiciário, a exemplo que que se sucede permanentemente do Estado do Rio de Janeiro, transformando a outrora “cidade maravilhosa” no “coração das trevas, como alguém já apelidou;

– Campeia soltos e com exemplos que a cada dia populam mais volumosos e impunes no noticiário criminal os crimes de corrupção com o dinheiro público;

– não se explicam a irracionalidade da especulação financeira dos juros aos rentistas e nem se explica a pirâmide isenta de impostos das criptomoedas como bitcoin; 

– etc., etc., etc.

O retrato da barbárie social parcialmente aqui citado (há muitas outras) tem uma causa: o capitalismo e sua degeneração econômica e política; superá-lo é a palavra de ordem inadiável. 

Como fazê-lo? Isso somente é possível com a introdução de um novo modo de produção social capaz de negar todas as incongruências do sistema produtor de mercadorias e que viabilize uma ordem jurídico-constitucional que lhe seja correspondente.

Repetir esse desfecho e formular apelo à conscientização do mal e na necessidade de sua superação como um mantra deve servir de incômodo como uma pedra no sapato de um caminhante que errou o caminho.

Fortaleza, janeiro de 2026

Dalton Rosado. 

Dalton Rosado é carioca, do Rio Comprido ,advogado, escritor, articulista de blogs e jornais, e desde longa data atuou contra a ditadura militar. Foi fundadosr do PT e do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza com Cardeal Lorscheiderr de quem foi advogado. Fundador do PT e um dos coordenadores da Vitória de Maria Luíza para a Prefeitura em 1985 de quem foi Secretário de Finanças e candidato a Prefeito contra Ciro Gomes. Ê membro do Critica Radical de Fortaleza, cidade onde reside atualmente

 

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
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