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Que terceira guerra mundial é essa?-Dalton Rosado

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 9 leitura mínima

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O artigo “Que terceira guerra mundial é essa?”, de Dalton Rosado, propõe uma interpretação crítica da conjuntura internacional contemporânea. Em vez de entender a atual tensão geopolítica apenas como conflito militar entre potências, o autor argumenta que já está em curso uma terceira guerra mundial de caráter econômico, resultante da crise estrutural do capitalismo.O artigo convida o leitor a refletir sobre os rumos do capitalismo contemporâneo e sobre a possibilidade de uma transformação histórica diante de suas contradições estruturais.

Que terceira guerra mundial é essa?-um texto de Dalton Rosado

Deixando a segurança nacional de lado, dificilmente faz diferença quem será o próximo presidente. O mundo é governado pelas forças de mercado

Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve

​Quando um grupo de meninos fortes e malvados faz bullying ao novato franzino da escola e se apercebem que ele tem um irmão forte, com cara de mau e armado que se aproxima, estabelece-se um armistício que neutraliza as ações; mas a tensão, continua em meio às más intenções.

​Hoje existem nove países com poderio bélico nuclear; são eles: Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido, Israel, Índia, Paquistão e Coréia do Norte. 

Os Estados Unidos, representado pela figura de um bilionário narcisista metido a macho alfa, golpista na política desde a invasão do Capitólio, criminoso condenado que pôde se candidatar a receber apoio eleitoral para voltar à Casa Branca com seus comparsas (hoje com baixa popularidade, o que já demonstra arrependimento majoritário dos eleitores), é o fortão agressor a fazer bullying num cenário de guerra. 

A China é o irmão forte e armado que pode e quer intervir e neutralizar a iminente agressão já em curso? Isso ainda não ficou demonstrado, mas pode vir a ser um fator de armistício contra os invasores estadunidenses e o governo israelense do corrupto e impopular Bibi Netanyahu. 

A verdade é que capacidade destrutiva nuclear de tantos países, caso se se configurasse uma terceira guerra mundial, é o que está contendo o alastramento como ocorreu no passado, tanto na primeira como na segunda guerra mundial. Mas o futuro é incerto e a possibilidade existe, dada a empáfia de governantes ególatras vaidosos temerosos da perda do poder político e econômicoque detêm.

Sempre fico a me perguntar o que faria Hitler acuado no seu Bunker no centro de Berlim, e diante dos bombardeios russos, pudesse apertar um botão atômico??? 

Mas há uma terceira guerra mundial já em curso desde há muito e que agora toma contornos bem explícitos diante da debacle mundial: a terceira guerra mundial econômica provocada pela decretação iminente da falência do capitalismo.

Os meninos fortões de antes, Estados Unidos e União Europeia composta por países que hoje formam um bloco continental, que cresceram inicialmente com o colonialismo escravista direto, e depois com o escravismo indireto do sistema produtor de mercadorias e sua famígera da extração de mais-valia, (saqueavam commodities baratas e vendiam mercadorias manufaturadas caras) envelheceram e seus músculos atrofiaram graças às contradições dos seus próprios fundamentos.

O capital, que tem como objeto teleológico a sua autorreprodução vazia de sentido humano, é uma lógica abstrata que se insere na vida realdando ordens aos seus súditos, que a criaram e a ela se submetem de modo autodestrutivo, tal como faziam os aborígenes australianos que sacrificavam vidas em louvor aos totens de pedra por eles mesmo erigidos e a quem atribuíam poderes divinos, pedindo chuva (Marx usou essa metáfora para explicar o fetichismo da mercadoria).

A adoração ao Deus valor em fase de decrepitude causada pelo limite interno de expansão, tal qual uma bicicleta que pára e cai se não tiver movimento contínuo, abala as estruturas de países que mesmo detendo grande poderio militar, não têm como se sustentar sob critério de uma relação social impossível de se viabilizar intramuros. Algo assim como uma arma na mão de um bandido que está se esvaindo em sangue.  

Produzir mercadorias e vendê-las no volume crescente e necessário se tornou impossível (mesmo sob a emissão suicida de gás carbônico na natureza pela queima dos combustíveis fósseis, pelos principais emissores, Estados Unidos e China) porque além da dessubstancialização do valor destas que reduz a massa global de valor de modo inexorável e anêmico para o fluxo monetário mundial que nece3ssita de valor válido e se sustentaapenas na emissão de dinheiro sem valor, como disse Robert Kurz, ocorre o desemprego estrutural e redução da capacidade de compra popular numa inversão de fatores que apontam para o colapso. 

Desse modo, a covarde agressão militar aérea por mísseis que matam populações civis indefesas a olhar para os Céus paralisadas pelo terror, configura-se como uma vã tentativa de domínio territorial de reserva de mercado sob um contexto já depressivo da economia mundial. 

O que era ruim se tornou inviável, e estamos à beira de uma hecatombe econômico-financeirabancária na qual os padrões monetários fiduciários perderão a capacidade e credibilidade e poderão ser congelados em contas bancárias sem saques.

Estados Unidos e China precisam produzir e vender mercadorias sob pena de travamento da engrenagem que alimenta as empresas que atuam nos seus solos e fora deles; o sistema bancário precisa reaver os juros incidentes sobre dívidas impagáveis; a máquina governamental devedora de uma dívida crescente que custeia a administraçãopública, suas instituições e a guerra pela via da cobrança de impostos (leia-se valor) já não podem obter tal custeio senão pela endividamento perdulário sem possibilidade de resgate futuro. 

Essas duas locomotivas do capitalismo mundial diminuem suas velocidades e veem, atônitas, a queda da curva da taxa de crescimento do PIB ano a ano (O Partido “Comunista” Chinês e os organismos econômicos estatais já anunciaram para 2026 um PIB de apenas 4,5% ao ano, sem prever a guerra em curso, menor do que o anterior de 5,0%, já em curva decrescente) pari passu ao vertiginoso crescimento da dívida numa conta de chegada cujo desfecho será catastrófico.

Os que se acham mais precavidos, correm para investir em ativos como o ouro que teve alta de 70% em 2025, e que continua subir de preço e valor, sem desconfiarem que esse metal é apenas referência num mercado que tende a desaparecer. 

Esse é a primeira guerra mundial econômica sem armistícios e na qual todos os contendores capitalistas sairão derrotados?

– Dela surgirá uma nova ordem de produção social sem mercadorias e destinada apenas à satisfação do consumo, sem a famigerada viabilidade econômica da produção na qual só se produz aquilo que se vende?

– ou teremos uma hecatombe nuclear caso se configure uma terceira guerra mundial bélica? 

Estamos vivendo a primeira grande guerramundial econômica produzida pela falência dos fundamentos do capitalismo, que é diferente das outras duas guerras mundiais do século XX de luta por hegemonia num capitalismo ascendente em determinadas regiões industrialmente desenvolvidas.

O desfecho disso pode ser a emancipação humana do jugo do capital; e cabe as nós a decisão sobre qual caminho tomar. 

 Fortaleza, março de 2026

Dalton Rosado. 

Dalton Rosado é carioca do Rio Comprido,advogado, escritor, articulista de blogs e jornais, e desde longa data atuou contra a ditadura militar. Foi fundador do PT e do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza.

 

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
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