Fundado em novembro de 2011

Trump quer implantar 1984, restaurar o Admirável Mundo Novo ou ser o bombeiro do Fahrenheit 451?-Roberto Martins

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 5 leitura mínima

Receba regularmente nossas publicações e assista nossos vídeos assinando com seu e-mail em utopiasposcapitalistas.Não esqueça de confirmar a assinatura na sua caixa de mensagens

Neste ensaio provocativo, Roberto Martins parte da figura de Donald Trump para levantar uma hipótese inquietante: não se trata apenas de descontrole, mas de um projeto de poder com traços distópicos. Entre referências a 1984, Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451, o autor constrói uma leitura crítica que mistura política, cultura e imaginação literária. O texto sugere que, por trás das excentricidades, pode haver uma ambição de controle total, marcada por vigilância, manipulação e poder absoluto. Com linguagem direta e tom reflexivo, o ensaio convida o leitor a pensar os limites entre loucura individual e racionalidade autoritária em tempos de crise.

Ouça aqui o áudio deste post

Trump quer implantar 1984, restaurar o Admirável Mundo Novo ou ser o bombeiro do Fahrenheit 451?-um ensaio de Roberto Martins

Claro está que o presidente Donald Trump não vive mais uma situação normal. Sobre o que ele tem, há controvérsias, porém, mesmo psiquiatras norte-americanos lhe atribuem um desequilíbrio mental. Os estrangeiros, então… Mas a percepção é mais variada: atinge políticos, economistas, jornalistas, e o próprio povo ao responder apesquisas. Sua capacidade mental “piorou” no último ano, diz a esmagadora maioria dos que responderam a uma pesquisa. Apenas 26% o apontam como “equilibrado”. Os adjetivos são muitos: louco, psicopata, sociopata; deve cair fora do mandato por seu declínio mental; dizem que ele gagueja e todos percebem “que o cérebro dele não está funcionando muito bem”; no dia em que os cristãos celebravam a páscoa ele mandou os iranianos “irem viver no inferno”; os seus auxiliares começam a viver em verdadeiro “pânico”; e muitos pedem que ele vá descansar, reivindicam a aplicação da 25ª Emenda para afastá-lo do cargo, e por ai afora.

Eu às vezes fico em dúvida. Que o desequilíbrio mental de Trump é grave e que ele pratique loucuras, não resta dúvida, mas qual seria a causa maior? Ou, o que estaria por trás, como seu objetivo? Tenho pensado que ele, de tanta confusão mental aliada à megalomania, se tornou um distópico. Quer implantar, não apenas nos Estados Unidos, mas de preferência no mundo inteiro, um daqueles modelos da distopia. Claro que ele não tem nada de utópico, mas tem tudo de distópico! Afinal vi uma interessante definição de ambas as expressões na Apresentação de 1984: “Utopia e distopia têm papel didático. A primeira se objetiva num prêmio a se alcançar. A segunda, num castigo a se evitar.” É isso: que o Trump quer: castigar o mundo!

Aí comecei a pensar: quereria ele ser um bombeiro como os imaginados por Ray Bradbury em Fahrenheit 451? Me pareceu que isso, para ele, é muito pouco. Queimar todos os livros, apagar a cultura universal, tudo que é antigo,talvez seja a parte menor de seu intento. Não seria o suficiente para quem quer apagar uma civilização milenar num apagar das luzes de uma noite. Não, ele apoia apagar com a cultura universal, mas quer muito mais!

Então vai ver que ele quer fazer como idealizou Aldous Huxley, quer restaurar o Admirável mundo novo. Quem sabe? Afinal, naquele mundo novo havia estabilidade social, as crianças eram fruto de inseminação artificial, e cada um – Alfa, Beta, Gama, Delta, Ípsilon – já nascia com sua casta predeterminada e devidamente condicionados. Muito bom. Além disso, a plena liberdade sexual: quanto menor a liberdade política, maior era a liberdade sexual. Assim ele poderia aplicar livremente tudo o que fez juntamente com Jeffrey Epstein, sem ter nada a esconder posteriormente. Mas haveria um problema: lá, nesse Admirável mundo novo, Trump no máximo seria um Administrador, nunca um ditador, não serve. Esse mundo novo já não é mais admirável, é velho! 

Restaria então 1984. O primeiro livro da distopia, a grande criação de George Orwell. É bem verdade que tem este nome já está ultrapassado, 1984, é ano já antigo, mas não importa, mudamos o nome para 2084 ou 3084: representará o futuro e adotaremos todos os dispositivos daquela sociedade verdadeiramente admirável! Teremos uma ditadura perfeita, uma polícia política de superpoderes, uma capacidade de domesticar todos os homens – e mulheres, ora – com a grande vantagem que o lugar de um trumpético estaria reservado, na figura do Grande Irmão: o onipresente, em todos os grandes outdoors em todas as cidades, em todas as telas, em todas as casas! Ai sim. É o lugar que Trump pensa para si: o imperador do mundo!

Eunápolis,abril de 2026

Roberto Martins

Roberto R.Matins é jornalista, historiador e escritor, hoje residindo no extremo sul da Bahia, membro da Academia de Letras de Porto Seguro.

 

Loading

Compartilhe este artigo
Seguir:
Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Ensaios e Textos Libertários

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Ensaios e Textos Libertários