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Neste ensaio, Paulo Baía analisa as eleições de 2026 no Rio de Janeiro a partir de uma crise que ultrapassa a disputa eleitoral e alcança as estruturas do Estado. A interinidade no governo, a judicialização da política e a reorganização administrativa de Ricardo Couto compõem um cenário institucional excepcional. O autor também observa os territórios onde poder político, economias clandestinas, organizações armadas e novas tecnologias se cruzam. A descoberta de fazendas clandestinas de criptomoedas e investigações sobre fazendas de celulares levantam uma questão central: o controle territorial pode se integrar ao controle dos fluxos digitais de informação?Nesse contexto, a disputa eleitoral deixa de ocorrer apenas em espaços físicos e passa também pelas redes, algoritmos e aplicativos de mensagens. O artigo propõe uma leitura do Rio de Janeiro em que crise institucional, território, tecnologia e poder se entrelaçam, levantando uma questão decisiva para 2026: quem controla o território, quem controla a informação e quem governa o próprio voto?
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Rio de Janeiro em 2026: crise institucional, territórios do poder e uma eleição sob intervenção da realidade-um ensaio de Paulo Baia
O Estado do Rio de Janeiro chega às eleições de 2026 atravessando uma crise que já não pode ser compreendida como episódio isolado, acidente administrativo ou simples turbulência entre governos. Existe uma deterioração sistêmica, acumulada durante anos, que alcança simultaneamente a política, a administração pública, as relações entre os Poderes, o sistema eleitoral, a segurança, as finanças estaduais e os territórios onde a autoridade formal do Estado convive, disputa ou negocia espaço com poderes econômicos, religiosos, políticos e armados. A imagem da metástase ajuda a compreender essa situação porque os focos da crise deixaram de existir separadamente. Eles se comunicam, alimentam-se e produzem consequências recíprocas. A crise política gera judicialização, a judicialização modifica a sucessão governamental, a mudança na sucessão interfere na administração, a administração altera redes de interesses, essas redes possuem expressão territorial e eleitoral, enquanto a criminalidade organizada amplia sua capacidade econômica e tecnológica.
No plano nacional, Lula procura construir uma candidatura à reeleição que ultrapasse os limites tradicionais da esquerda. A aproximação de Hugo Mota com esse projeto revela uma conhecida gramática do poder brasileiro, baseada na capacidade de reunir forças diferentes em torno da governabilidade, da sobrevivência eleitoral e de interesses regionais. A conciliação continua sendo uma tecnologia política eficiente. Entretanto, quando deslocamos o olhar de Brasília para o Rio de Janeiro, encontramos uma realidade muito mais acidentada. Aqui, a eleição de outubro acontecerá sobre um terreno institucional instável, marcado pela intervenção crescente de decisões judiciais na dinâmica política e por uma reorganização inesperada da própria estrutura do Executivo estadual.
O Rio de Janeiro é hoje governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. O Supremo Tribunal Federal determinou sua permanência no Palácio Guanabara enquanto não conclui o julgamento sobre a sucessão estadual e rejeitou, em maio, pedido da Assembleia Legislativa para alterar essa situação. Formou-se uma circunstância constitucional extraordinária: o STF interferiu decisivamente no curso político do estado ao manter uma solução provisória enquanto posterga uma definição definitiva. Não decidir imediatamente também é uma decisão quando a passagem do tempo modifica a realidade sobre a qual posteriormente se decidirá.
Essa demora produziu um fenômeno político inesperado. Ricardo Couto não se tornou apenas o ocupante transitório do Palácio Guanabara. A duração da interinidade permitiu que passasse a governar estruturalmente. Sua administração determinou auditorias abrangentes em secretarias, autarquias, fundações e empresas estatais, estabelecendo uma revisão da máquina pública que ultrapassa a administração cotidiana de uma transição. Em agosto, uma dessas auditorias, envolvendo contratos da Secretaria de Cidades e possíveis irregularidades, chegou à Procuradoria-Geral da República depois de alcançar fatos relacionados a autoridades com prerrogativa de foro. Os envolvidos citados na investigação negam irregularidades.
É justamente aí que surge uma das perguntas centrais da eleição fluminense. Qual será o efeito político e eleitoral de uma interinidade que começou como solução temporária e adquiriu duração e capacidade suficientes para modificar estruturas permanentes? Cada auditoria, revisão contratual, exoneração, reorganização administrativa ou mudança fiscal interfere em circuitos que não são apenas burocráticos. A máquina estadual está conectada a municípios, empresas, fornecedores, lideranças, parlamentares e redes territoriais. Quando esses circuitos são alterados, relações de poder também podem ser alteradas. Isso não permite afirmar que exista intenção eleitoral na atuação de Ricardo Couto. Permite formular uma questão sociológica e política inevitável: uma administração interina tão ativa conseguirá atravessar o ano eleitoral sem produzir consequências sobre a própria eleição?
A resposta somente poderá ser medida depois das urnas. Entretanto, a hipótese precisa ser examinada desde agora. As ações de Ricardo Couto podem repercutir sobre as disputas pela Assembleia Legislativa, pela Câmara dos Deputados, pelas duas vagas do Senado e, principalmente, pelo governo estadual. O próximo governador, que assumirá em janeiro de 2027, poderá receber uma estrutura administrativa diferente daquela existente antes da crise sucessória. A interinidade, nesse sentido, projeta sua sombra sobre o futuro. O provisório produz permanências.
Existe também um paradoxo democrático impossível de ignorar. Uma administração pode realizar mudanças consideradas necessárias e, simultaneamente, permanecer submetida à questão de sua legitimidade para promover transformações de longo alcance. O debate público já registra essas duas leituras. Há quem enxergue a administração interina como oportunidade de reorganização do Estado e quem considere problemática uma situação em que uma decisão judicial prolonga no Executivo uma autoridade que não recebeu mandato popular para governar. Não se trata de escolher simplificadamente entre uma interpretação e outra. A tensão entre eficiência administrativa, excepcionalidade constitucional e legitimidade democrática constitui precisamente uma das características da crise fluminense.
A geografia política do Rio
As eleições de 2026 serão realizadas dentro desse ambiente, mas seria um erro observá-las exclusivamente pelas instituições formais. A política do Rio de Janeiro continua sendo radicalmente territorial. Capital, Baixada Fluminense, Leste Metropolitano, Norte, Noroeste, Região dos Lagos, Sul Fluminense e Região Serrana constituem sistemas políticos diferenciados. Não existe uma única eleição estadual acontecendo de maneira homogênea. Existem várias eleições ocorrendo simultaneamente, organizadas por estruturas municipais, prefeitos, vereadores, igrejas, associações, categorias profissionais, grupos econômicos, movimentos sociais, forças de segurança, lideranças comunitárias e organizações partidárias, até que todas essas geografias se encontrem na mesma urna.
Entretanto, uma nova dimensão precisa ser acrescentada a essa cartografia. O território geográfico está sendo integrado ao território digital, e essa interseção talvez represente uma das novidades mais inquietantes da política fluminense contemporânea. Não se trata apenas da presença dos candidatos no Instagram, TikTok, YouTube, Facebook ou WhatsApp. O problema é maior. O domínio territorial, a infraestrutura clandestina, a economia ilegal, a capacidade tecnológica e a comunicação digital começam a formar ecossistemas integrados.
Fazendas de criptomoedas e fazendas de celulares
Nesse ponto, considero indispensável registrar uma investigação ainda em desenvolvimento. O jornalista Chico Otávio e eu temos recebido, por meio de fontes vinculadas ao sistema de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, informações sobre a existência e possível expansão das chamadas “fazendas de criptomoedas” e “fazendas de celulares” em territórios periféricos e áreas submetidas à influência de organizações criminosas. Chico Otávio vem investigando esse fenômeno jornalisticamente, enquanto acompanho suas possíveis implicações sociológicas, políticas e eleitorais. São informações que precisam continuar sendo apuradas, confrontadas e dimensionadas. Não seria responsável apresentar como definitivamente comprovada toda a extensão territorial e tecnológica que essas fontes sugerem. Entretanto, já existem ocorrências policiais concretas que tornam impossível desprezar o fenômeno.
Em maio de 2026, durante uma operação contra integrantes do Comando Vermelho no Complexo do Lins, na Zona Norte, a Polícia Civil encontrou uma estrutura clandestina de mineração de criptomoedas instalada nos fundos de um estabelecimento. Havia dezenas de computadores funcionando simultaneamente e alimentados por ligações irregulares de energia. A investigação passou a apurar inclusive a possível utilização daquela estrutura na economia da organização criminosa. Em julho, outra operação da Polícia Civil encontrou em Guaratiba uma fazenda de mineração de criptomoedas funcionando em um galpão sem medidor de energia e abastecido por ligação clandestina. Segundo a concessionária, o consumo irregular equivaleria aproximadamente ao abastecimento de 150 residências.
Esses episódios comprovados não demonstram, por si mesmos, a existência de uma rede estadual integrada de fazendas digitais. Demonstram, porém, que estruturas tecnológicas clandestinas, instaladas em territórios específicos e alimentadas por energia furtada, já fazem parte da realidade investigada pelas forças de segurança. As informações que Chico Otávio e eu recebemos de fontes do sistema de segurança sugerem que o problema pode ser mais disseminado e diversificado, envolvendo não somente mineração de criptomoedas, mas estruturas compostas por grande quantidade de celulares e equipamentos conectados e automatizados. É exatamente por isso que as investigações precisam avançar. Estamos diante de uma novidade ainda pouco discutida e cujas dimensões econômicas, criminais, comunicacionais e eventualmente políticas permanecem insuficientemente conhecidas.
As chamadas fazendas de celulares acrescentam uma dimensão particularmente sensível ao problema porque seu potencial não se limita à produção de riqueza clandestina. Estruturas com numerosos aparelhos controlados de maneira coordenada podem potencializar circulação de informações e contrainformações, automação de contas, multiplicação artificial de mensagens, produção de engajamento e estratégias de comunicação dirigidas a públicos específicos. Quando essas possibilidades tecnológicas são associadas a aplicativos de mensagens, sobretudo o WhatsApp, entramos em uma dimensão ainda mais complexa, porque a comunicação ocorre em redes privadas, familiares, religiosas, profissionais e comunitárias nas quais a confiança pessoal aumenta a capacidade de persuasão.
Não se deve confundir possibilidade tecnológica com comprovação de utilização eleitoral dessas estruturas. Não dispomos, até este momento, de evidência pública suficiente para afirmar que as instalações investigadas estejam sendo utilizadas sistematicamente para interferir nas eleições de 2026. Essa distinção é indispensável. Mas também seria ingenuidade ignorar a relevância estratégica de estruturas capazes de operar grande quantidade de dispositivos simultaneamente num ambiente eleitoral em que boa parte da formação de opinião circula pelo telefone celular.
Quando o território físico encontra o digital
Estamos, portanto, diante de uma possível transformação do conceito de território político. Durante décadas, compreender a eleição fluminense significava estudar municípios, bairros, comunidades, igrejas, associações, máquinas eleitorais, prefeitos, vereadores, cabos eleitorais e, tragicamente, áreas submetidas ao poder armado de facções e milícias. Agora precisamos acrescentar outra camada. O território físico pode conectar-se ao território digital.
Essa interseção muda a escala do problema. Quem controla uma rua exerce determinado poder. Quem controla economicamente uma comunidade exerce um poder maior. Quem controla serviços clandestinos amplia ainda mais sua capacidade de influência. Se estruturas territorialmente dominantes passarem também a operar tecnologias capazes de interferir na circulação massiva de conteúdos digitais, surgirá uma modalidade híbrida de poder, simultaneamente geográfica, econômica, armada, tecnológica e comunicacional.
O território deixará de terminar na esquina.
Poderá continuar dentro do celular de quem atravessou a esquina.
É essa integração que precisa ser estudada com especial atenção. Uma organização territorial pode conhecer hábitos, relações comunitárias, igrejas, comerciantes, associações e lideranças locais. A tecnologia permite acrescentar segmentação, velocidade, repetição e escala. Algoritmos podem organizar mensagens distintas para públicos distintos. A mesma narrativa pode receber linguagens diferentes conforme idade, religião, profissão, bairro, renda, preferências culturais ou comportamento digital. A comunicação política deixa de ser apenas massiva e passa a ser simultaneamente massiva e personalizada.
O problema torna-se ainda mais relevante quando pensamos na circulação de contrainformação. Uma notícia falsa não precisa convencer todo o estado. Precisa alcançar, com precisão, o grupo emocionalmente mais vulnerável àquela narrativa. Uma mensagem sobre segurança pode ser direcionada a determinado público. Uma narrativa religiosa pode circular em outro ambiente. Uma acusação política pode ser adaptada para outro segmento. O objetivo não é necessariamente produzir uma verdade alternativa universal. Pode ser suficiente fabricar milhares de pequenas realidades emocionais, cada uma adequada ao medo, à esperança ou ao ressentimento de um grupo específico.
Essa é a nova fronteira entre território e algoritmo.
A política sempre disputou emoções. A novidade está na capacidade tecnológica de identificar, classificar, estimular e reproduzir essas emoções em escala extraordinária. No Rio de Janeiro, onde determinados territórios geográficos já sofrem limitações impostas por poderes armados, a eventual integração entre domínio territorial e capacidade de intervenção digital constitui um problema democrático de primeira grandeza.
Tudo desembocará na mesma urna
Por isso, as eleições de outubro precisam ser observadas muito além das pesquisas de intenção de voto. O comportamento eleitoral será produzido pelo encontro de inúmeras estruturas. Haverá o impacto da disputa presidencial e da candidatura de Lula. Haverá as alianças nacionais simbolizadas pela aproximação com Hugo Mota. Haverá a influência dos prefeitos e das máquinas municipais. Haverá as igrejas, as organizações sociais, as categorias profissionais e as redes partidárias. Haverá o efeito das decisões judiciais sobre candidaturas e sobre a própria sucessão estadual. Haverá a administração excepcional de Ricardo Couto. Haverá as redes sociais abertas e os aplicativos de mensagens. E haverá territórios nos quais a soberania formal do Estado convive com poderes armados e economias clandestinas.
É por essa razão que a crise do Rio de Janeiro não pode ser descrita apenas como crise de governo. Trata-se de uma crise de governança, representação, territorialidade e legitimidade. As fronteiras entre política, Justiça, administração, segurança e eleição tornaram-se porosas. Uma decisão do STF modifica a linha sucessória. A nova linha sucessória coloca o presidente do Tribunal de Justiça no Executivo. O governador interino realiza auditorias que alcançam estruturas políticas. As investigações policiais revelam novas economias clandestinas. Essas economias utilizam tecnologia avançada. A tecnologia modifica a circulação de informação. A informação influencia percepções políticas. E as percepções políticas finalmente se transformam em votos.
A metástase institucional encontra a mutação tecnológica.
É nessa convergência que está a singularidade fluminense de 2026.
A pergunta sobre Ricardo Couto permanece aberta. Seu ritmo administrativo e as alterações produzidas durante a interinidade modificarão efetivamente o resultado das eleições para a ALERJ, a Câmara dos Deputados, o Senado e o governo estadual? Ainda não sabemos. Contudo, sabemos que uma administração provisória suficientemente longa para alterar estruturas deixa de ser eleitoralmente invisível. Seus efeitos podem beneficiar alguns grupos, enfraquecer outros, desorganizar antigas redes e criar novas expectativas no eleitorado.
Da mesma forma, ainda não sabemos qual é a extensão das fazendas de criptomoedas e das fazendas de celulares existentes no território fluminense, quais organizações participam dessas estruturas, quais são seus modelos econômicos e até onde alcançam suas capacidades tecnológicas. As operações policiais já realizadas demonstram que parte desse universo é real. As informações obtidas por Chico Otávio e por mim junto a fontes do sistema de segurança indicam que há muito mais a investigar.
É necessário investigar.É necessário medir.É necessário compreender.
Porque a ameaça não está apenas na possibilidade de uma máquina produzir criptomoedas com energia furtada. A questão maior é saber se está surgindo no Rio de Janeiro uma infraestrutura clandestina capaz de integrar economia criminosa, domínio territorial e tecnologia digital numa escala que o poder público ainda não conhece adequadamente.
Se essa hipótese se confirmar, estaremos diante de uma transformação qualitativa das estruturas de poder nas periferias e favelas fluminenses. O grupo armado do século XXI não será apenas aquele que possui homens, armas e território. Será aquele capaz de combinar controle físico, capital clandestino, infraestrutura tecnológica, bancos de dados, algoritmos e comunicação em massa.
Uma eleição sob intervenção da realidade
A eleição de 2026 ocorre exatamente no momento em que essas perguntas começam a aparecer.
O Rio chega a outubro atravessado por uma interinidade judicial excepcional, por uma reorganização administrativa conduzida por Ricardo Couto, por investigações que atingem estruturas políticas, por disputas territoriais históricas, pela força crescente da comunicação digital e pela descoberta de novas infraestruturas tecnológicas clandestinas. Tudo isso acontece enquanto Lula procura ampliar nacionalmente sua coalizão e Hugo Mota representa uma das pontes entre campos políticos diferentes.
O Rio de Janeiro, entretanto, possui sua própria gramática.
Aqui, compreender a eleição exige compreender o território. E compreender o território, em 2026, já não significa apenas olhar para o mapa.
É preciso olhar para as redes elétricas clandestinas, para os galpões, para os computadores, para os celulares, para os aplicativos de mensagens, para os algoritmos e para as novas formas de circulação de dinheiro, informação e poder.
A eleição já começou.
As instituições estão em movimento. Os territórios estão em disputa. As redes estão operando. As máquinas partidárias estão organizadas. As decisões judiciais redesenham o tabuleiro. A administração interina altera estruturas. As forças de segurança descobrem novas tecnologias do crime. A política tenta compreender aquilo que está acontecendo enquanto a própria realidade se modifica numa velocidade superior à capacidade institucional de interpretá-la.
Outubro reunirá todas essas forças.
A questão decisiva já não é somente quem vencerá a eleição para governar o Rio de Janeiro a partir de janeiro de 2027. É saber qual Estado estará sendo entregue ao vencedor, quais poderes terão participado da formação da vontade eleitoral e até que ponto os territórios geográficos e digitais estarão integrados na construção do comportamento político, emocional e eleitoral da população fluminense.
Talvez esteja exatamente aí o grande desafio democrático de 2026: descobrir quem governa o território, quem governa os fluxos de informação e, no espaço cada vez menor que separa uma coisa da outra, quem ainda consegue governar livremente o próprio voto.
Rio de Janeiro, agosto de 2026
Paulo Baia
Sobre o autor

Sociólogo, cientista político, ensaísta e professor da UFRJ