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Quem dá mais-Alaor Junior

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 6 leitura mínima

Há alguns meses, durante rodas de discussão on line, quando conheci o companheiro de luta, Professor Arlindenor,tive o prazer e a honra de ser convidado para escrever textos aqui para o Blog, sendo este um oportuno espaço para disseminação de conhecimento e promoção de reflexões que oferecessem aos leitores uma reavaliação de suas condições sociais e visões de mundo, transformando as observações que aqui lançamos em importantes ferramentas a serviço da conscientização social, viés imperativo perante à aridez que a podridão do capitalismo impõe a uma gorda fatia social que se sujeita, muitas vezes por extrema necessidade, à promiscuidade da dignidade, sob o jugo da exploração do trabalho e da conveniente segmentação de classes. Pensemos numa prostituição social, me perdoem as prostitutas, pois prefiro sua ética ao cancro das elites dissimuladas, que sob o vil metal tem o mando sobre as ‘luzes vermelhas’ que adornam as decisões dos jogos de interesses.

É comum que meus escritos adotem um tom ácido-intimista, e nem desejo mudá-lo, ao passo que me serve como vetor catártico, até pela natureza das posturas que norteiam meu trabalho em psicoterapia clínica, disposto a ouvir discursos que exprimem todo um sofrimento sintomáticofrente às agruras de um mundo de extremos. Porém, afirmo que o crescente mal-estar associado às insanidades globalizadas cresce e procria como ratos, a percepção dessa agonia tem me produzido desconfortos e uma necessidade ainda maior de explicitar as desigualdades e o encabrestamento das massas, condições tóxicas e covardesque assumem proporções surreais no circo político-econômico que encobre o Brasil. Muitos, dentro de plenas condições,chegam sequer a citar ou se pronunciar, vivendo sob uma ótica resignada que, com o tempo, vai se acostumando ao aperto do encilhamento. Sinceramente, como conseguem? Que preço é esse que deve ser pago?

Óbvio que não há salvação mágica, com soluções respaldadas em fantasias infantis que tragam mudanças imediatas, inclusive com a disseminação de propostas surreais, oportunas às elites dominantes, que insistem em amenizar os discursos que explicitam as dores e desigualdadesda plebe (‘O banzo? É só uma tristeza…’, entre outras máximas), perpetuando seus pedestais de dominação com regalias autogeridas. Não estou aqui fazendo apologia ‘quixotesca’ a idealismos e ideologias impossíveis, tiradas dacartola da ingenuidade, porém, há de se chegar a um basta, gatilhado por aqueles que permanecem acreditando em igualdades e transformações, tais como: uma melhor divisão de riquezas; justas remunerações pelo trabalho, produto produzido ou serviço ofertado; minimização de exploração da mão-de-obra, amealhada sob o crivo da extrema dependência;diminuição e/ou redimensionamento de margem de lucro dos mega empresários, entre outras. Aqui não há política de salvação que verte no arroto embusteiro dos patriarcas mofados, mas cansaço frente ao desgaste continuado de uma sociedade nada equânime. Haja fel…

A economia e as relações sociais devem ser percebidas como entes vivos, que crescem e adaptam-se às novas realidades, e que acompanham os passos da evolução. Não há mais espaço e tempo para filosofias retrógradas, engessadas num passado de conveniências medievais que atendiam prioritariamente à suserania. Alguns exemplos concretos certamente impactam os que pensam e desejam uma sociedade mais justa, com funcionalidades igualitárias; apósdez anos de vigência o Plano Nacional de Educação não atingiu nenhuma das vinte metas. Parâmetros sobre segurança, saneamento, IDH e habitação não são muito diferentes. Aos que persistem na dominação, não residiria nessas métricas as condições mais que interessantes a um plano de jugo? Só não enxerga quem não quer, aliás. A precariedade oftálmica é realidade disseminada entre os menos abastados, já domesticados…

Ficam nítidos os fatores pandêmicos do Capital, e as feridas profundas aparecem no tecido social, clinicamente abandonado pelo descaso, debilidade econômica. Artigo quinto da Constituição Federal, um embuste institucionalizado, ninado a panos quentes e salivação negligente dos ilibados responsáveis pela elaboração e pleno emprego da Lei. Pensemos nos preconceitos, sim eles ainda imperam, e de forma bem pesada e dissimulada, sob as pálpebras do cinismo, inclusive das autoridades. Pobres, negros, nordestinos, ‘minorias não tão menores’, ainda sofrem com a estratificação socioeconômica, por exemplo o Brasil é o país que mais mata homossexuais e pessoas transgêneros, a grande maioria confinada a subempregos ou à marginalidade, enquanto condição de sobrevivência possível. Que se ratifique que o patriarcado cravou suas garras e faz a sociedade refémdo tradicionalismo que beira as concepções medievais, feudalismo contemporâneo.

Apesar de alguns esforços do governo atual, é visívelque os índices de vacinação caíram assustadoramente, oportunizando o reaparecimento de patologias praticamente extintas em nosso território, a saber a poliomielite e o sarampo, explicitando uma massa social totalmente retrógrada, falta de zelo de pais e responsáveis pelos seus,debilitada de informações abalizadas e contaminada por religiosismo tacanho que, subvertendo o papel do Estado, ocupa as lacunas das chagas explicitadas pela leviandade dos poderes, com seus cargos, em grande parte, ocupados pelos representantes ou fantoches das elites.

Além dos pontos citados, que endossam a fragilização social a serviço da manipulação, cabe lembrar o avanço das queimadas, que não reflete somente a agressividade climática,usada com álibi sofrível, mas, aponta para o descaso de autoridades vendidas ao agronegócio e à bancada ruralista, que fazem vistas grossas para o desmatamento e para exploração de trabalhadores rurais em núcleos que beiram a escravidão.

Precisaria de uma narrativa enorme para regurgitar todas as posturas indecentes e insanas das quais as elites lançam mão para perpetuar as condições que alimentam os pensamentos e as manobras da direita tradicionalista, visando o controle para efeito da manutenção dos processos exploratórios, de poder, e de lucratividade com domínio dos meios de produção. Enfim, de todo esse bagaço, o restolho do suco espremido pelo proletário infeliz, ainda é vendido sob a etiqueta do ‘quem dá mais’. Leilãozinho do caráter…

Alaor

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
7 Comentários
  • Concordo plenamente com suas críticas ácidas e realistas sobre a podridão do capitalismo e a exploração desenfreada das massas pelas elites dominantes. Sua analogia sobre a “prostituição social” é bastante poderosa e ressalta a hipocrisia e a falta de ética que permeiam os altos escalões da sociedade.

    A sua capacidade de interligar os problemas econômicos com as questões de preconceito e estratificação socioeconômica também é impressionante. A menção aos preconceitos ainda enraizados contra os pobres, negros, nordestinos e a comunidade LGBTQIA+ é um lembrete doloroso, mas necessário, de quanto ainda precisamos avançar como sociedade.

    Além disso, sua análise sobre a fragilidade social e a manipulação das massas, bem como a crítica ao descaso com questões ambientais e de saúde pública, são extremamente pertinentes. A queda nos índices de vacinação e o aumento das queimadas são sintomas alarmantes de um sistema que privilegia o lucro em detrimento do bem-estar social e ambiental.

    Gostaria também de destacar a importância de textos como o seu, que nos forçam a confrontar as duras realidades e a questionar o status quo. Sua escrita serve como um importante vetor de conscientização e mudança, e encorajo você a continuar nessa jornada, pois suas palavras têm o poder de inspirar e mobilizar muitas pessoas.

    Espero que possamos continuar trocando ideias e reflexões, pois acredito que é através do diálogo e da crítica construtiva que podemos buscar soluções para os problemas que enfrentamos.

    Mais uma vez, obrigado por compartilhar seu texto e por me permitir fazer parte dessa reflexão tão importante.

  • Sempre nadando contra a corrente no permanente combate a todos os tipos de perversidades provocados pelo sistema capitalista, mas jamais desistir da luta por um mundo melhor!
    Parabéns, Alaor!!!

  • Pura e dolorosa realidade.
    Que um dia tudo isso mude e que tenhamos um Brasil menos maquiado.

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