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Ontologia no estado “prático”-Luiz Carlos de Oliveira e Silva

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 3 leitura mínima

Religiões em dois tempos:

As religiões são ontologias “práticas”, e como tais devem ser entendidas. O monoteísmo “revelado” – sustentado por uma ontologia metafísica – é o que sustenta ideologicamente o genocídio do povo palestino, como negar essa evidência? Por que a esquerda se cala quanto a esse “detalhe”?

As religiões de terreiro são hoje um dos poucos bastiões a partir dos quais a esquerda pode se reorganizar. Devemos disputar a seara religiosa contrapondo a violência intrínseca do “monoteísmo revelado”, pretensamente civilizador, com o politeísmo “selvagem” das religiões de origem africana e ameríndia.

O desfile campeão da Acadêmicos do Grande Rio, em 2022, com uma aberta e destemida exaltação a Exu foi, a um só tempo, belo e promissor

A “luta de classes”, do ponto de vista da esquerda, segundo penso, ou passa (também) pela seara da religião, ou continuaremos irrelevantes como nos encontramos faz tempo.

Nunca o politeísmo que insiste em existir entre nós apresentou um potencial tão revolucionário como agora. Contra o monoteísmo “civilizador” do invasor, contra-ataquemos com o politeísmo “selvagem” das religiões de matriz ameríndia e africana, para ampliação de sentido e ressignificações.

Isto é: por uma ontologia da Pacha Mama!

O “monoteísmo revelado” já cumpriu no passado uma função civilizadora, mas hoje não tem como não ser instrumento de opressão contra os povos neocolonizados. Esta realidade salta aos olhos para quem tem olhos para ver…

A crise pela qual passamos no Ocidente é – também e fundamentalmente – uma crise civilizacional, cuja melhor inteligibilidade exige que a compreendamos de um ponto de vista ontológico.

Compreender a crise dos pontos de vistas (ônticos) sociológico, político e econômico é necessário e importante, mas, sem a perspectiva ontológico tudo pode se dissipar como lágrimas na chuva.

Assim, segundo penso, não há como enfrentar a crise sem a formulação de fundamentos para uma nova Civilização sustentados numa ontologia original e potente.

Nas Américas – a Pacha Mama! -, nos encontramos em uma posição privilegiada para darmos conta desse empreendimento, o que implica também enfrentarmos o problema da religião.

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Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
2 Comentários
  • Concordo com esta hipótese. É preciso superar os preconceitos no campo das esquerdas. E o religioso é um dos centrais. Sem partilhar criticamente os campos do simbólico, de fato “estacionados” estaremos.

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