‘Interpretação dos poemas: Silvio Ribeiro de Castro

Felicidade
A doce tarde morre.
E tão mansa
Ela esmorece,
Tão lentamente no céu
de prece,
Que assim parece,
toda repouso,
Como um suspiro
de extinto gozo
De uma profunda, longa
esperança
Que, enfim cumprida,
morre, descansa…
E enquanto a mansa tarde
agoniza,
Por entre a névoa
fria do mar
Toda minh’alma foge
na brisa:
Tenho vontade de
me matar!
Oh, ter vontade de se matar…
Bem sei que é coisa
que não se diz.
Que mais a vida pode
me dar?
Sou tão feliz!
– Vem, noite mansa… “
Poema só para Jaime Ovalle
‘Quando hoje acordei, ainda
fazia escuro.
(Embora a manhã já
estivesse avançada.)
Chovia.
Chovia uma triste chuva
de resignação.
Como contraste e consolo ao
calor tempestuoso
da noite.
Então me levantei.
Bebi o café que eu mesmo
preparei.
Depois me deitei
novamente, acendi um
cigarro e fiquei pensando.
- Humildemente pensando
na vida
e nas mulheres que amei.’
MANUEL BANDEIRA (1886/
1968) Poemas publicados nos livros “O Ritmo Dissoluto’
1924 e ‘Belo Belo’ 1948

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho ( Recife ,19 de abril de 1886-Rio de Janeiro-13 de outubro de 1968) foi um poeta,crítico literário e de arte,professor de literatura e tradutor brasileiro, considerado um dos maiores expoentes da poesia brasileira e uma figura-chave do modernismo brasileiro .