Fundado em novembro de 2011

Apenas um coração indeciso-Silvio Ribeiro de Castro

arlindenor pedro
Por arlindenor pedro 3 leitura mínima

Receba regularmente nossas publicações e assista nossos vídeos assinando com seu e-mail em utopiasposcapitalistas.Não esqueça de confirmar a assinatura na sua caixa de mensagens

Silvio Ribeiro de Castro transforma a indecisão amorosa em uma crônica bem-humorada, ambientada entre o Engenho Novo e a boemia da Lapa carioca. Alice e Clarice representam mundos opostos, enquanto o narrador, incapaz de escolher entre razão e paixão, atravessa noivados, desencontros e confusões. Com linguagem coloquial, ritmo de conversa e um toque de tragicomédia, o autor constrói uma história que parece saída de uma antiga novela de costumes. E quando tudo indica que o protagonista finalmente aprenderá alguma coisa, seu coração apronta novamente.

Ouça aqui o áudio desta história

Apenas um coração indeciso- um texto de Silvio Ribeiro de Castro

“Nunca consegui me decidir por Alice ou por Clarice. Alice, amiga de infância, das brincadeiras nas ruas outrora calmas do Engenho Novo. Meiguinha, recatada, moça prendada, cozinheira de forno e fogão.

Namorico sob o olhar vigilante da família, de mãos dadas, comportado, no portão. Mas foi então que conheci a Clarice num baile da Estudantina. Foi amor ao primeiro tango, sensual e exímia bailarina. Decidida, atrevida, pra tudo uma opinião. Boca suja, uma bomba de pavio curto. Na cama, uma tsunami amorosa, um vulcão. As duas igualmente eu amava, e o meu indeciso coração, como um pêndulo, oscilava entre a paixão e a razão.

Fiquei noivo de Alicinha, me lembro bem, num dia chuvoso, uma linda tarde de inverno. Até chorei de emoção quando o seu pai, muito terno, depois de um discurso comovente, me concedeu a sua mão.

Na mesma noite encontrei com Clarice num cabaré na Lapa. Ela exigiu que fizéssemos um pacto de sangue, discutimos e quase saímos no tapa. Por pouco não nos expulsaram do cabaré, mas depois de muita discussão, de tantos chopes e conhaques, celebramos a nossa paz numa cama de motel.

Mas existe um povinho invejoso, fofoqueiro, que adora uma bisbilhotice, e não é que contaram tudo pra Alice e pra Clarice. Alice tentou se matar. Clarice me ameaçou de morte. Achei por bem dar um tempo, me ausentar, passar uma temporada lá no Norte.


Mas esse meu coração desvairado, inconsequente, adora uma enrascada, e não é que já me arranjou duas novas namoradas. Berenice e Doralice! Contando ninguém acredita. Vão dizer que parece coisa de novela. O que posso fazer? Uma é loura, a outra morena. Uma é linda, a outra é bela. E não consigo me decidir…”

Silvio Ribeiro de Castro

Sobre o autor


SILVIO RIBEIRO DE CASTRO é declamador,poeta e compositor.Gosta de ser conhecido como um “ contador de histórias”.Publica regularmente para o blogue, Utopias Pós Capitalistas- Ensaios e Textos Libertários onde tem uma coluna.
Compartilhe este artigo
Seguir:
Libertário - professor de história, filosofia e sociologia .
Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Ensaios e Textos Libertários

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Ensaios e Textos Libertários