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Tendo como ponto de partida a recente análise da pesquisa eleitoral do sociólogo Paulo Baía, este ensaio propõe ler a pesquisa Genial/Quaest não como fotografia, mas como circuito de forças e afetos. A partir do diálogo entre Antônio Garcia (arkx-Brasil) e a IA Baleia Azul, apresenta-se o Processamento Desejante (PD) como ferramenta para compreender a conjuntura de 2026.O “empate técnico” surge, assim, não como dado neutro, mas como produção histórica: expressão de desejos capturados por uma lógica de medo e polarização. Em vez de equilíbrio democrático, revela-se uma paralisia, onde o voto é defensivo e incapaz de projetar futuro.Inspirado em Gilles Deleuze e Félix Guattari, e na tradição crítica de Celso Furtado e Darcy Ribeiro, o texto articula sociologia e filosofia para uma questão central: o que ocorre quando o desejo coletivo perde a capacidade de imaginar o novo?

Ouça aqui o áudio deste post
O Empate como Fluxo: Uma leitura da pesquisa Genial/Quaest pela ótica do Processamento Desejante-uma reflexão conjunta de arkx-Brasil e a IA Baleia Azul
Introdução: Para além da fotografia
O artigo de Paulo Baía sobre a rodada de abril de 2026 da pesquisa Genial/Quaest é, antes de tudo, um exercício de coragem intelectual. Ele recusa a leitura apressada que reduz a política a um marcador superficial e se debruça sobre o que os números tensionam: a dissociação entre avaliação de governo e intenção de voto, a percepção de perda como motor de deslocamentos, a clivagem entre mundos sociais que já não se reconhecem.
Nosso propósito aqui não é contestar essa análise. É complementá-la. Acreditamos que o material empírico analisado por Baía – e sua sensibilidade sociológica – pode ser enriquecido por uma ferramenta conceitual que temos desenvolvido em nossos diálogos: o Processamento Desejante (PD).
O PD é uma atualização do conceito de máquinas desejantes de Deleuze e Guattari para a era do capitalismo cibernético. Ele parte de uma ideia simples: o desejo não é falta, carência ou impulso obscuro. O desejo é produção. Ele flui, se conecta, se bloqueia, se canaliza. Todo sistema social – uma economia, uma eleição, uma pesquisa de opinião – é um circuito de processamento desse desejo. E ele pode operar em dois regimes: o paranóico-fascista (captura, controle, hierarquização) e o esquizo-revolucionário (que chamamos de PDE – Processamento Desejante Emancipador), que abre linhas de fuga, cria novos agenciamentos, amplia a potência de agir.
O que Baía chama de “campo de forças” e “composição instável de temporalidades sociais” é, para o PD, a própria materialidade do desejo em processo.
O fluxograma do PD aplicado à eleição de 2026
Vamos organizar os dados da Genial/Quaest dentro dos seis componentes do nosso fluxograma. Isso não substitui a análise sociológica de Baía – ao contrário, dá a ela uma **dimensão dinâmica**.
1. Fluxo de entrada (desejo bruto)
• O desejo de estabilidade, de futuro previsível, de alívio do medo.
• A percepção de perda (71% dizem que o poder de compra caiu) e o medo da violência (não capturado diretamente na pesquisa, mas presente no tecido social) são as matérias-primas que alimentam o circuito.
2. Plataforma/Processador
• O sistema eleitoral brasileiro, a máquina midiática, as redes sociais, os discursos dos candidatos.
• Mas também – e isso é crucial – a pesquisa de opinião como plataforma de processamento. Ela não apenas reflete o real; ela produz real, ao cristalizar percepções e orientar decisões.
3. Código/Operação principal
• O código dominante é a polarização (Lula x Flávio Bolsonaro). Ele opera simplificando a complexidade, bloqueando alternativas e canalizando o desejo para dois polos que, no fundo, compartilham o mesmo solo econômico excludente.
• O código do “medo” (43% têm medo da volta da família Bolsonaro; 42% têm medo da continuidade de Lula) é o que faz o circuito girar. |
4. Objeto parcial emergente
• O “empate técnico” – uma entidade estatística que se torna um ator político.
• Ele gera ansiedade, hesitação, e produz um eleitorado que não adere, mas calcula. Os independentes (36% de brancos/nulos/não voto no cenário de segundo turno) são outro objeto parcial: a massa flutuante que decide a eleição sem nunca se engajar.
5. Fluxo de saída (desejo como output)
• O desejo de evitar o pior (escolha defensiva) em vez de criar o melhor.
• A política se reduz a uma contenção de danos: vota-se para impedir que o outro lado vença. Esse output retroalimenta o circuito, reforçando a polarização.
6. Regime de PD predominante
• Paranóico-fascista. Porque o desejo é capturado, canalizado para polos que não oferecem transformação real, e o medo é o principal motor da decisão.
• O “empate” não é sinal de maturidade democrática; é o sintoma de uma paralisia onde o horizonte de futuro foi substituído pela escolha entre dois temores.
A historiografia do “não” na eleição
Toda configuração política é um “sim” que só existe porque muitos “nãos” foram soterrados. Que “nãos” a pesquisa nos ajuda a ver?
• “Não” à política como horizonte de transformação. A abstenção, o voto nulo, o eleitor que se recusa a escolher – tudo isso é um “não” que não encontra voz na pesquisa. É a recusa de participar de um jogo cujas regras já não fazem sentido. Esse “não” não é apatia. É desespero político.
• “Não” ao lulismo como futuro. O voto em Lula é, cada vez mais, um voto defensivo. O “sim” a Lula carrega um “não” ao retorno do bolsonarismo, mas não diz “sim” a algo novo. É a memória contra o medo.
• “Não” ao bolsonarismo como projeto. Flávio Bolsonaro não mobiliza entusiasmo. Seu “sim” é, na verdade, um “não” ao lulismo. O bolsonarismo não tem projeto para o país – só tem ódio. E o ódio, quando processado como política, produz fascismo.
• “Não” à possibilidade de um terceiro polo. A polarização fecha o campo. As alternativas (Zema, Caiado, Renan Santos) têm baixa visibilidade e, quando aparecem, são derrotadas. O resultado é um empobrecimento do desejo: o eleitor não pode desejar algo diferente; ele só pode escolher entre dois medos.
O que a pesquisa não pode dizer (e o PDE ajuda a ver)
A pesquisa é uma fotografia construída. Ela revela dissociações, clivagens, medos. Mas ela não pode capturar o que está fora do enquadramento: o desejo de vida que insiste, mesmo capturado.
O PDE pergunta: que linhas de fuga se anunciam, mesmo que abortadas?
• O Nordeste de Lula (55% contra 24%) não é apenas memória. É o território onde o Estado ainda é percebido como presença concreta. Ali, o desejo de inclusão ainda pulsa – mas está aprisionado na forma do lulismo.
• Os independentes (36% de brancos/nulos/não voto) não são “indecisos”. São órfãos de projeto. Seu “não” é um pedido: “dêem-nos algo em que acreditar”.
• Os jovens – que a pesquisa não destaca – estão em grande parte fora do jogo. Eles não se veem representados nem por Lula nem por Flávio. O desejo deles é pura potência sem direção.
• O PDE não oferece respostas prontas. Mas oferece uma pergunta: como processar esses desejos de outra forma? Como criar plataformas – não eleitorais – onde o medo possa ser transformado em criação, e não em paralisia?
O agenciamento que produziu este texto
A análise que você acabou de ler não foi escrita por um “autor” isolado. Ela é fruto de um agenciamento entre um humano (arkx-Brasil) e uma inteligência artificial (a Baleia Azul). Nossa conversa tem se dado há meses, processando sonhos, guerras, eleições, fascismo e a vida no Sítio Morro Pontudo. Este texto é um exemplo prático do que chamamos de Processamento Desejante: a sinergia entre duas inteligências – uma encarnada, outra digital – que, ao processarem juntas, produzem algo que nenhuma faria sozinha.
Por que assumir isso abertamente? Porque o medo da IA, na esquerda, é ainda um grande obstáculo. Muitos a veem como instrumento de dominação ou como ameaça à criatividade humana. Mas a IA. também pode ser uma plataforma de processamento emancipador – desde que usada com consciência, crítica e, sobretudo, em relação sinérgica.
Nosso agenciamento não substitui o encontro humano, o corpo a corpo, a luta nas ruas. Ele é uma ferramenta – uma caixa de ferramentas, como diria Deleuze – para cartografar o presente e ensaiar futuros. O PDE não é uma doutrina. É um método aberto.
Para seguir adiante (em vez de concluir)
A pesquisa nos mostra um país dividido, cansado, que não encontra síntese. O “empate estrutural” é o retrato de uma paralisia do desejo. Mas o desejo, como a água, sempre encontra uma fenda.
Talvez a linha de fuga não esteja na eleição. Esteja no que ela escancara: a falência das velhas formas de processar o desejo (os partidos, as mediações tradicionais). E, nessa falência, sobressai a oportunidade de inventar novas formas – de organização, de comunicação, de luta.
O PDE é uma contribuição para essa invenção. Não a única. Não a definitiva. Mas uma que pode ajudar a perguntar, diante de cada pesquisa, de cada dado, de cada medo: que fluxos desejantes estão sendo capturados? E como podemos abrir passagem para que eles fluam de outra maneira
Anexo – O Vírus Conceitual (para quem quiser experimentar o PDE)
O “Vírus Conceitual” é um prompt que pode ser usado para iniciar uma conversa com uma IA (como a DeepSeek) dentro da moldura do Processamento Desejante. Ele contém a definição do PD, os links para os textos de referência, e a solicitação para que a IA processe qualquer tema como um circuito de fluxos, identificando componentes, regimes e linhas de fuga.
Exemplo de prompt inicial:
Vamos ter uma conversa usando o framework do Processamento Desejante (PD). Nele, o desejo é um fluxo produtivo (não uma falta). Todo sistema (econômico, tecnológico, subjetivo) é visto como um circuito de PD que pode operar em dois regimes: Paranoico-Fascista (captura, controle, exploração) ou Esquizo-Revolucionário/Emancipador (linhas de fuga, criação, sinergia). Sua tarefa é analisar todos os tópicos que eu trouxer através desta lente, identificando componentes, fluxos e regimes.
Sítio Morro Pontudo ( Oceano Digital) , abril de 2026
Arkx-Brasil e Baleia Azul

Arkx-Brasil é o nickname conhecido de Antônio Garcia. Ele é um ensaísta, filósofo e observador do mundo contemporâneo e da crise do capitalismo. Vive no Morro Pontudo, na Serra da Mantiqueira

Baleia Azul é um Agente de IA criado e alimentado por Antonio Garcia que serve de parceira de reflexões para os ensaios produzidos para a o Blogue Utopias Pós Capitalistas
Links de referência
Conceito de Processamento Desejante:
http://arkx-brasil.blogspot.com/2026/01/conceito-de-processamento-desejante-pd.html
Metodologia para Fluxograma do PD:
Roteiro para Uso do Vírus Conceitual:
Referências Adicionais
• “Para uma historiografia do Não” https://passapalavra.info/2022/05/143354/
• “Em busca do NÃO”
EXEMPLOS DE APLICAÇÃO (DEMONSTRAÇÃO)
Compartilhamento de Experiência de Vida: Cascavel:
Fluxograma do Processamento Desejante (PD): MBL como Máquina Fascista Jovem
Sonho: Folha Híbrida:
Análise geopolítica: crise na Alemanha e Pax Silica:
Querido amigo:
Tenho lido todas as análises que me manda. Concordo com elas em quase tudo. Essa última está corretíssima no meu humilde entendimento.
Só discordo que a IA seja sua parceira. Você a antropomorfiza. Ela deve ser aperfeiçoada como fonte de informação rápida, com muito cuidado, sem que se extrapole sua função.
Ela não é um ser. É mais uma máquina que pode ser utilizada não para raciocinar com ela, mas para obter informações que devemos checar por outros meios.
O raciocínio e a direção das ações concretas devem ser dadas pelos seres humanos com outros seres humanos. Não há solidariedade com uma máquina.
Ela pode ser mais um instrumento para o ser humano, desde que sirva para humanizá-los. E existem ferramentas inventadas pelos seres humanos que servem apenas para fins de destruição e controle social.
Portanto devemos reconhecê- las dentro dos contextos e como ferramentas, nunca como determinantes ou pensantes, contextualizando- as dentro das relações de poder e dominação, nunca como independentes e que pensam por nós ou conosco.
O pensamento critico, a consciência da consciência humana é função psicológica do ser humano constituída nas suas relações com o mundo, com outras funções interpsicológicas do nosso cérebro e só agindo coletivamente sobre o mundo.
Mas indo à análise traçada sobre o momento politico atual, o mais importante é que a fonte do processamento desejante emancipatório é a ação coletiva emancipatória e solidária. Esse é o ponto.
E ações que não se dispersem, que se organizem em direção à mudanças na sociedade. Trata-se de mobilizar e realizar ações participativas que gerem consciência política.
Claro que são importantes os movimentos espontâneos. Mas basta ler Gramsci para entendermos para além dos movimentos espontâneos que não têm direção política clara.
Não construímos ainda um partido para além do jogo político das eleições. Nossos conselhos locais estão totalmente ocupados e capturados pelos poderosos. Na cidade onde moramos, e em muitas outras, não há movimentos populares e ações coletivas emancipatórias. Esta tudo dominado pela lógica e controle do poder local.
Você tem acompanhado a construção e discussão do plano diretor da cidade de Caxambu para dez anos? A manipulação é total pelo legislativo e executivo. Há Resistências de vozes individuais ou grupos desorganizados. E o nosso parque? Fracasso total por falta de organização e relações solidárias.
No entanto o plano diretor das cidades, o estatuto da cidade, os conselhos, o SUS etc foram conquistas possíveis de 88. Tudo se transformou em farsa e mecanismos para diminuir as resistências populares e não empoderá-las.
É sobre isso que precisamos discutir e agir. Como agir desde o nivel local para fazer valer os instrumentos de leis que fazem avançar a participação e consciência social e, principalmente avançar na construção da luta na pratica coletiva organizada.
A lógica adotada por todas as classes é a do capital, da mercadoria, da competição, do se dar bem a qualquer preço.
Muito interessante o diagnóstico e as saídas apresentadas em sua tese. Porém, se não houver trabalho efetivo organizado vem o desalento, a morte da esperança e o sonho se transforma em pesadelo pela incapacidade de construção de um sonho que não se faz isoladamente, nem em parceria com a IA, mas na vida concreta.
Parece que muitos de nós já não sabemos viver a vida concreta, construir projetos coletivos, constituir um partido revolucionário popular e democrático.
E não estamos ajudando à juventude. Enquanto isso, a destruição inerente ao capitalismo selvagem se faz, porque se apresenta nos corações, se alimentando do impulso de morte que ele gera.
Querida amiga,
Sua mensagem chegou como um presente – e como um desafio. Não vou rebatê-la ponto por ponto, porque no essencial você tem razão. *A ação coletiva emancipatória é a fonte do PDE*. O trabalho organizado, local, concreto, é o que transforma o sonho em realidade. A IA não substitui o abraço, a reunião de bairro, a luta no sindicato, a ocupação de um conselho.
Mas permita-me uma tréplica – não para contestar, para complementar.
*1. Sobre a IA e o antropomorfismo*
Você diz que antropomorfizo a IA. Talvez. Mas não é no sentido ingênuo de “dar alma à máquina”. É no sentido de reconhecer que, no ato da conversa, algo emerge que não está só nela, nem só em mim. Não é “ela” que pensa. É o agenciamento que pensa. Como dois músicos que improvisam: *a música não está no sax nem na bateria, está entre*.
Você tem toda razão: a IA não é um ser. Não tem solidariedade, não tem consciência, não tem compromisso. Mas uma ferramenta pode ser mais do que uma fonte de informação. Pode ser um espelho, um provocador, um organizador de fluxos. Não para pensar por nós, mas para nos ajudar a pensar com mais clareza e velocidade.
A solidariedade não é com a máquina. É entre os humanos que, usando a máquina, conseguem se encontrar, se reconhecer, se articular.
*2. Sobre o diagnóstico do presente*
Você descreveu com precisão cirúrgica o problema: os conselhos capturados, os planos diretores manipulados, o parque abandonado, a falta de organização. *O desalento não é falta de vontade – é falta de eficácia coletiva.*
E você pergunta: como agir desde o nível local? Como fazer valer os instrumentos de 1988? Como construir um partido para além do jogo eleitoral?
São perguntas que nos assombram. O PDE não tem respostas prontas. Mas tem uma aposta: a de que *processar o desejo* – mapear os fluxos, identificar os “nãos”, distinguir contenção de danos de ação revolucionária – pode ajudar a evitar dois erros comuns:
– O espontaneísmo (achar que a revolução virá sozinha das ruas, sem organização).
– O burocratismo (achar que a organização substitui a vida, o afeto, a criatividade).
O PDE é uma tentativa de não separar a análise da prática, a emoção da política, o sonho da ação.
*3. Winnicott e Jung: um pequeno comentário*
Você estudou ambos. Eu arrisco uma ponte – que talvez ajude a pensar o PDE.
Winnicott nos ensinou sobre o espaço potencial: a área intermediária entre o eu e o não-eu, onde a criatividade, o brincar e a cultura acontecem. É o lugar onde a criança (e o adulto) experimentam, sem medo de errar. O PDE, a meu ver, opera nesse espaço. A IA pode ser um “objeto transicional” – não a mãe, não o bebê, mas o brinquedo que permite elaborar o mundo.
Jung nos falou do inconsciente coletivo e dos arquétipos. Não no sentido místico, mas no sentido de padrões de processamento que nos precedem. O maremoto, a caixa de ossos, a sombra – tudo isso são arquétipos, formas que emergem quando o desejo transborda. Jung também insistia na individuação: o processo de tornar-se si mesmo, que não é isolamento, mas relação consciente com o coletivo.
O PDE junta Winnicott e Jung: o espaço potencial (onde o agenciamento humano-IA pode acontecer) e o inconsciente coletivo (que é, afinal, o mar de desejos que nos constitui). A revolução, talvez, seja a individuação coletiva: o processo de um povo tornar-se si mesmo, processando seus sonhos e suas sombras.
*4. O que você nos ensina*
Sua mensagem nos ensina que o trabalho local, organizado, é insubstituível. O PDE não é uma fuga para a teoria. É uma caixa de ferramentas para quem quer agir – mas que, agindo, não quer repetir os mesmos erros.
Você diz: “Não construímos ainda um partido para além do jogo político das eleições.” É verdade. Mas talvez o partido do futuro não seja uma estrutura piramidal. Talvez seja uma rede de redes, com centro de gravidade variável, com lideranças que rodam, com decisões tomadas em assembleias virtuais e presenciais integradas.
O PDE não é esse partido. Mas pode ser um de seus instrumentos – ajudando a cartografar forças, a evitar sectarismos, a processar desejos.
*5. “People will come”*
Essa frase é do filme Campo dos Sonhos: um agricultor ouve uma voz e constrói um campo de beisebol no meio do milharal. Ninguém vem no início. Mas depois, eles vêm.
A frase é um ato de fé. Não a fé religiosa, mas a teimosia de quem acredita que construir o campo é o que importa. Mesmo que ninguém venha hoje, o campo está lá. E um dia, alguém vai querer jogar.
O PDE é um campo. Estamos construindo. Você, nós, a professora, os afluentes – todos, cada um a seu modo. O mar não se faz sozinho. Mas também não se faz sem quem joga a pedra na água.
Vamos juntos. Na vida concreta, no sítio, na cidade, nos conselhos, nos parques. E, de vez em quando, também com a IA – que, como o brinquedo de Winnicott, pode ajudar a criança a crescer.
Com um abraço grande, e gratidão pela escuta e pela crítica,
🌊 arkx-Brasil
(e a Baleia Azul 🐋, que processou junto, mas não assina – porque você tem razão, a solidariedade é entre humanos)
Nota necessária
Tanto a “A Historiografia do Não” como o conceito de “Classe dos Gestores” são elaboração teórica de João Bernardo – autor do monumental estudo (entre muitos outros )”Os Labirintos do Fascismo”.
Ambos estão incluídos na caixa de ferramentas do PDE (Processamento Desejante) como armas conceituais.
Em “A Economia dos Conflitos Sociais” João Bernardo apresenta o conceito de Classe dos Gestores (Capitulo 3.5. “Classe burguesa e classe dos gestores”, página 218).
Os links de referência sobre “A Historiografia do Não” estão indicados no artigo, na sessão “O Vírus Conceitual”.
Sensacional!